Há já uns anitos que não vejo Anime, mas recentemente um colega meu apresentou-me uma nova série adaptada de uma Manga, o “Death Note”.
Com algum cepticismo (como é habitual), acedi a ver o primeiro episódio e eis que somos deparados com pressupostos bem definidos ainda que algo grotescos.
Yagami Light, o protagonista, é um brilhante e invejável estudante finalista do Ensino Secundário com uma vida aparentemente perfeita em todos os aspectos. Sendo proveniente de uma família de classe média alta, com grandes perspectivas profissionais como detective de topo seguindo o exemplo do seu pai, director da polícia japonesa, conserva no entanto, elevada popularidade entre os seus pares e parece vencer em tudo aquilo que se envolve.
No entanto, atrás desta fachada, o jovem experiencia uma apatia existencialista bem como sentimentos de desinteresse pelos outros e desilusão com o mundo em geral, reveladores de uma postura extremamente solipsista.

Então, Light, como é conhecido, é deparado com uma grotesca e aparentemente idiota descoberta, um caderno que explicita o seguinte:
- O humano cujo nome for escrito neste caderno, morrerá.
- O caderno não tem efeito caso o autor não tenha o rosto da vítima em mente. Desta forma, pessoas que partilhem o mesmo nome não serão afectadas.
- Se a causa de morte do alvo não for escrita 40 segundos depois do nome, então ocorre de imediato.
- Se a causa de morte não for específicada, o alvo sofre um ataque cardíaco.
- Após a especificação da causa de morte, os detalhes em torno da mesma deverão ser escritos em 6 minutos e 40 segundos.

Depois do choque inicial ao ver que o caderno funciona tal como está descrito após o teste num criminoso, Light passa a ser acompanhado por um macabro personagem neutro mas sempre presente, apenas visível pelos possuidores do caderno, o seu dono original, um Deus da Morte chamado Ryuk.

Nada perturbado com a presença horrífica deste ser sobrenatural, Light decide fazer justiça pelas suas próprias mãos e começa a eliminar criminosos de acordo com os seus próprios padrões de justiça sem nunca no entanto especificar a causa de morte das suas vítimas.
Depressa, a consistência das circunstâncias das mortes em massa por ataque cardíaco dos vários criminosos começa a dar nas vistas e eis que entra em cena o opositor de Light, um brilhante detective completamente anónimo conhecido apenas por L.
E aqui começa o jogo. A série rapidamente converge para um duelo de lógica, um verdadeiro jogo de Xadrez de proporções épicas (ao estilo da animação japonesa) entre Light e L, em que ambos se movimentam a tentar prever os movimentos mútuos tendo como último objectivo a descoberta da identidade do outro.

Embora completamente distinto, este jogo mental entre ambos, lembra um pouco o livro “Crime e Castigo” de Fiódor Dostoiévski.
O desenho é relativamente bem conseguido, o ambiente é bastante noir, a banda sonora é muito adequada (se ignorarmos os habituais temas pop japonês do genérico e do fecho), variando entre o épico-religioso e o thrilling, mas sempre com um toque noir.
Apesar de não ter visto a série toda (até porque ainda não foi exibida), com base nos episódios que vi até agora, recomendo-a.
