Um dia destes, fui ao ginásio como é habitual, chego ao balneário e procuro um cacifo livre e eis que me deparo com uma situação algo caricata. Ao meu lado, vejo um cadeado normalíssimo, daqueles que se vendem e alugam neste ginásio mas com uma etiqueta metálica agarrada, não com o nome, não com uma morada, contacto ou número de telefone mas sim a imagem seguinte:

Excuso de dizer que fiquei algo estupefacto com a coisa… Quem raio colocaria uma JAVA tag num cadeado e qual o propósito? Bom, lá esqueci a coisa e fui treinar.
Quando regresso eis que vejo à porta do cacifo em causa, um tipo magro e baixo de óculos, de fato, aparentemente já inteiramente vestido, sentado ao pé do mesmo com uma tentativa falhada de edição de bolso de uma grossa bíblia qualquer de JAVA, possivelmente o Thinking in JAVA, compulsivamente preenchida com post-its azuis daqueles que em regra só as raparigas e alunos muito aplicados usam nos seus cadernos e livros. Passados uns minutos, à medida que o espaço ia minguando naquele canto do balneário com a chegada de mais pessoas, o senhor lá resolveu guardar o evangelho na sua mala e sair dali para fora.
Agora ficamos abertos à especulação. Nada garante que aquela pessoa fosse a responsável pelo cadeado com a JAVA tag até porque o cacifo estava vazio nessa altura, por outro lado, ler uma bíblia de programação em JAVA em frente ao “local do crime” já com tudo arrumado e preparado para sair do ginásio são condições no mínimo suspeitas.
Independentemente das motivações atrás da aparente obsessão com o JAVA e eu sou o primeiro a reconhecer os muitos méritos do JAVA em certas situações, o que raio leva alguém a estudar JAVA num balneário masculino, de atmosfera densa e húmida, caracterizado pelo cheiro de suor masculino e roupa suja bem como homens nus e semi-nus a circular num espaço relativamente apertado?
É muito provável que aquele tipo tenha formação num curso qualquer ligado à área de informática ou numa engenharia qualquer (hoje em dia é impossível fugir à programação em quase todas as engenharias, penso eu). É sabida a fama destes cursos relativamente ao número de mulheres por inscritos e se fosse no caso do IST, com um pouco de imaginação, não custa nada pensar nos confortáveis edifícios da RNL como uma espécie de balneários masculinos de grande escala, felizmente sem a parte dos homens nus e semi-nus a passear pelos corredores.
Como tal, talvez o homem estivesse, inconscientemente a tentar recriar as condições em que tirou o curso e se evangelizou na grande religião do JAVA… Ou então é apenas mais um maluco como há muitos por aí, daqueles por exemplo que dedicam parte do seu tempo a escrever algo deste género.
