Casa M

Certamente qualquer habitué do edifício conhecido por Pós Graduação no IST com alguns anos na casa, já teve a oportunidade de ser confrontado com pequenos cartazes a referir “O Poder do M”, “O M contra-ataca” em recantos da sala do NFIST, na sala de alunos e LTIs de Física e até na sala de alunos de LMAC.

Brasão da Casa M

Qualquer mente caloira mais curiosa se perguntará qual a origem desses cartazes e hoje e em exclusivo, o ecce homo conta pela primeira vez a história inédita do M.

Em 2004, na antiga sala de alunos de Física que tinha lugar no anexo do anfiteatro GA5, um antigo aluno de Física, o Filipe Madeira na altura envolvido em fortes campanhas políticas tendo em vista a AEIST, surgiu com um plano astuto para obrigar a então lista dominante a colocar mesas de voto em todo o IST ao invés de as centrarem apenas nos seus redutos eleitorais.

Não estou dentro dos detalhes da máquina eleitoral da AEIST mas basicamente penso que esta decisão provinha da Comissão Eleitoral que continha de alguma forma representantes de todas as listas concorrentes que depois decidiam o posicionamento das mesas de voto.

Assim sendo, o plano era simples, consistia em criar várias listas fantasma para assegurar o controlo da Comissão Eleitoral e espalhar mesas por todo o IST, corrigindo assim as tácticas pouco limpas da então lista dominante que as concentrava nos sítios onde sabia ter mais eleitorado.

No meio desta vária mescla de listas fantasma, nasceu algo diferente, uma lista destinada à grandeza, a lista M.

O líder da lista M, Pedro Queiró, decidiu então dar início às actividades do M apesar de desconhecer os restantes elementos da sua lista. Pegou então num colega com algum domínio nas artes gráficas, Pedro Cruz, e foram elaborados os seguintes cartazes:

Primeiro Cartaz do M
Segundo Cartaz do M

E assim começou a lenda do M nos corredores do IST. Com estes pequenos cartazes nos recantos do Pavilhão Central, o M iria dentro de pouco tempo atingir proporções impensáveis para uma lista que se pretendia ser fantasma.

Estes cartazes misteriosos rapidamente geraram burburinho em torno das suas intenções junto das listas concorrentes bem como do eleitorado de forma incrível, isto tendo em conta que eram apenas 4 cartazes (2 de cada), isto se não me falha a memória. De qualquer forma contavam-se pelos dedos.

Depois de fazer chacota da lista M de Pedro Queiró, fui confrontado com uma ironia do destino, aparentemente eu era o número 2 oficial dessa lista. Arrependido pelo meu cepticismo e desrespeito iniciais, mas de imediato cativado pelo magnetismo divino da lista M, movido pelo sentimento de penitência dei início à minha contribuição como número 2.

Devido às conhecidas preferências políticas do líder do M, Pedro Queiró, a plebe assumiu rapidamente tendo ainda em conta a letra da lista, M, que esta seria de cariz monárquico o que aumentou ainda mais o mediatismo da lista M.

Não negando esta aclamação imperial pelo povo, a lista M vestiu-se de trajes monárquicos dando origem aquilo ficando agora conhecido como a Casa M.

Por imperiosa necessidade, criei recorrendo às mais antigas regras de heráldica e origens aristocráticas dos elementos da Casa com a ajuda dos mais reputados especialistas mundiais nesta nobre ciência, o já visto Brasão da Casa M.

Depois disto, localizámos mais dois membros da Casa M, o Filipe Serra e a Gisela Andrade e mais tarde dois elementos verdadeiramente fantasmas, o Daniel Vidal e uma rapariga desconhecida do curso de Aeroespacial, estes dois últimos parentes afastados das linhagens puras da Casa M sendo por isso renegados de imediato.

Estando constituído o núcleo duro da Casa M pelos 4 elementos de relevo, recorrendo aos arquivos mais precisos e bem guardados bem como a uma vasta equipa de genealogistas de reputação mundial responsáveis pelas árvores das grandes casas reais e aristocráticas europeias, foi elaborado o perfil dos elementos da lista M.

A acompanhar o perfil, foram de imediato encomendados aos maiores mestres da pintura, retratos dos nobres membros da Casa M. Claramente ofuscados pelo dedo de Deus que escolheu estes nobilíssimos elementos, os pintores elaboraram excepcionais obras que transportam em si a alma dos modelos.

Pedro

O actual Arquiduque da Alameda, o ilustríssimo D. Pedro Pizarro, ergue-se como o líder desta nova facção, a Casa M.Com ascendência ao mais altíssimo nível, incluíndo-se entre os seus grandes antepassados, D. Francisco Pizarro e muito possivelmente, o fundador do nosso glorioso Império, D. Afonso Henriques, o Arquiduque tem a mesma postura, o mesmo carisma, ele é o Escolhido, ele será o Rei, ele já o é.

É directamente aparentado com a Real Família Bourbon de Espanha, a Real Família Bragança de Portugal e outras grandes linhagens do velho continente.

André

De não menor prestígio, surge o presente Duque de Beja, D.André de Mello, como número dois da nossa poderosa família, a Casa M.Sendo pertencente às mais puras das linhagens europeias, encontram-se entre os seus inúmeros ancestrais de relevo, D. Louis XIV e D. Piotr, o Grande. O Duque revive o messmo espírito empreendedor, o mesmo brilhantismo dos seus grandes antepassados. Só ele poderá fazer do decrépito IST, uma imperiosa S. Petersburg.

É directamente aparentado com a Real Casa Francesa de Bourbon e com a Família Imperial Russa Romanov, além de possuir laços sanguíneos com altas individualidades do antigo clero português.

Gisela

Como número três, surge a graça divina da Princesa do Areeiro, a bela D. Gisela de Gestosa, o toque feminino da Casa M.Encontram-se, entre o seu panteão ancestral, a grande D. Marie Antoinnette e D.Leonor de Távora, dois símbolos de grande nobreza e sacríficio, duas mulheres que marcaram a sua época. Assim é a Princesa, encarna os valores, os quais nunca ousamos profanar.

É directamente aparentada com Família Imperial Austríaca Habbsburg e a Real Casa Francesa de Bourbon entre outras grandes famílias europeias.

Filipe

Como número quatro, surge um homem cuja ligação com o povo é insubstituível, o Marquês do Laranjeiro, D. Filipe de Castela, o que não nos deixa fugir da negra realidade, o número 4 da Casa M.Encontram-se, entre os ancestrais, o sui generis D. Henry VIII e D.Filipe II de Castela, I de Portugal, o marquês mantém o espírito dos seus antepassados, conservando a irreverência do primeiro e o sentido táctico do segundo. Foi assim que conseguiu manter o feudo do Laranjeiro como primeira potência face ao seu rival Feijó.

É directamente aparentado com a Real Casa Inglesa Tudor e a Real Casa Espanhola de Castela entre outras grandes famílias europeias.

Para ver o cartaz original carregar aqui.

Nota: A semelhança incrível com alguns conhecidos monarcas europeus é obviamente prova da pureza genética desta valorosa e nobre família, a Casa M.

E estava então iniciada a onda que iria arrastar o IST num frenesim monárquico em torno da Casa M. O Brasão e o perfil dos elementos da Casa M foi então impresso em não mais que meia dúzia de cópias que fizeram um furor por todo o IST.

À boca das eleições, em pânico com a crescente popularidade da Casa M, Hugo Patrício conseguiu impugnar a Casa M, com a ajuda das listas rivais da Casa M, numa conspiração de proporções inimagináveis, pela ausência de um relatório de contas dos gastos efectuados em campanha.

A gloriosa campanha da Casa M foi inteiramente financiada pelo seu próprio e vasto tesouro. Por questões morais, éticas e por querer ainda evitar o contacto com o dinheiro sujo da plebe, a Casa M considerou que a utilização dos fundos oferecidos pela Comissão Eleitoral seria inapropriada.

Desta forma, a Casa M não incorreu em gastos a partir do bolo da Comissão Eleitoral e como tal foi impiamente apunhalada pelas listas rivais qual o seu divino antepassado Júlio César havia sido no Senado de Roma pelos vis e cobardes senadores.

Hugo Patrício e os seus comparsas ganharam assim o marco de persona non grata aos olhos da Casa M.

Mas 3 dias após esta traição, qual Cristo ressurecto, a Casa M foi amplamente votada em todos os cantos do IST apesar de não constar nos boletins de voto ascendendo assim ao plano divino onde se tornou simplesmente o M.

A história continua…