Faial 2007

Patinhos no Faial

Desta vez, deixo como prometi há um ano atrás, uma minúscula amostra da minha segunda viagem aos Açores. Mais uma vez a minha irmã cedeu a sua máquina, mas desta vez a dependência era maior uma vez que ela me acompanhou como anfitriã sendo que são dela algumas destas fotografias.

Infelizmente, as fotografias são muito poucas e é com pena que não levei a máquina quando dei a volta à ilha em bicicleta e me meti pelo meio da mesma, onde depois tive alguma dificuldade em sair. O Faial apesar de ser das ilhas com maior presença humana que se reflecte nos campos cultivados, nas extensas pastagens e inúmeros trilhos, aldeias e lugares, acabou por me surpreender quando me perdi no meio de montanhas e vales, nos prados muralhados pelas hortenses, uma das imagens de marca do arquipélago, que acreditem, são verdadeiras muralhas intransponíveis.

Nessas zonas desertas onde me perdi, encontram-se as inúmeras vaquinhas leiteiras malhadas de branco e negro que ficam extremamente amedrontadas e nervosas com a presença humana. É quase enternecedor mas sobretudo cómico quando fogem de nós atrapalhadamente pelas inclinadas pastagens, tropeçando em pânico à medida que se afastam e mugem lamentosamente.

Infelizmente, não pude documentar essa aventura e por isso deixo aqui apenas uma pequena visita que fiz juntamente com a minha irmã e o seu namorado, a uma lindíssima lagoa. A paisagem é verdadeiramente bucólica e é impossível não relembrar os versos de Camões ao ver o cenário:

Verdes são os campos

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís Vaz de Camões

Incluo a música de José Afonso que canta os versos de Camões e a galeria pode ser vista aqui.