São Jorge 2007

Eu, o explorador (turista :P)

E terminando os Açores, deixo aqui também algumas fotografias da desconhecida ilha de São Jorge. A illha de São Jorge conserva um estado selvagem que nunca pensei existir em Portugal. As montanhas verdes e inacessíveis preenchem a paisagem sendo feridas por pequenas e esparsas estradas de alcatrão e inúmeros trilhos de terra batida. A pequena cidade de Velas, centro urbano… quer dizer, populacional da ilha, não parece mais do que uma pequeníssima vila onde a calma permanece imperturbável, lembrou-me o Alentejo, minha terra natal.

As fotografias incluídas na galeria são referidas a um dos muito povoados remotos desta ilha, neste caso, a Fajã de Santo Cristo da qual já falei antes. Esta zona possui não mais que algumas dezenas de pessoas que vivem em pequenas casas aqui e ali. Os locais pareceram-me minoritários, existindo no entanto uma grande afluência de turistas estrangeiros à procura de turismo selvagem através de caminhadas e campismo num meio relativamente intocado, surfistas obcecados com as aparentemente excelentes ondas do local e grupos de jovens que vêm passar fins de semana e férias.

O acesso é muito complicado podendo apenas ser feito através de motas (os locais usam moto-4 para transporte de bens para consumo próprio ou venda, transporte de bagagens e mercadorias dos turistas e a si próprios) ou então pode-se ir a pé (solução adoptada) sendo que à noite não há a mais ínfima luz visível nos negros mas estrelados céus que cobrem a ilha. Um cenário fabuloso para qualquer entusiasta de Astronomia embora imagine a loucura que seria o transporte de telescópios por aqueles caminhos íngremes e trabalhosos onde um pé em falso significa queda no abismo.

Apesar destas dificuldades, existem algumas estruturas básicas que compõem o lugar, um pequeno balneário público que funciona às vezes, alguns fontanários onde é possível lavar a loiça ou a roupa, uma pequena Igreja onde a missa é transmitida via rádio mas melhor que tudo isto, e na boa tradição portuguesa, um café meio atabernado chamado ou apelidado Borges (à semelhança do seu dono).

O dono do café, o Sr. Borges, é uma figura caricata e eminentemente portuguesa. É um senhor bastante cheio e ainda assim, com uma barriga desproporcionalmente grande face ao corpo, muito ao estilo do chamado típico português e possuí um temperamento algo antipático e intempestivo com muitos dos turistas. O centro do seu negócio está nas bebidas e sandes das quais os compradores, também à portuguesa se queixam do preço e qualidade. Juntamente com os seus três filhos, gere o café e um pequeno império imobiliário naquele nenhures que conseguiu construir devido ao monopólio comercial que ali mantém às custas da presença turística e dos surfistas, penso.

De resto a zona é simplesmente deslumbrante. A pouca electricidade que há nas casas e no estabelecimento penso que é obtida através de geradores o que obviamente representa um desafio para qualquer um. Agora imaginem que os locais vivem ali todo o ano naquelas condições de vida verdadeiramente primitiva em que todos os dias há que assegurar as condições de sobrevivência.

Não fotografei estes aspectos mais humanos da região, mas deixo-vos com umas fotografias da natureza local que não fazem justiça ao cenário ao vivo. Infelizmente tive que me desfazer do bordão improvisado que mostro na fotografia acima, mas como podem calcular, o transporte de tal objecto seria complicado mas tive pena… seria uma recordação verdadeiramente simples e genuína.

A galeria pode ser vista aqui.

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