É caso para dizer: “Mais vale tarde do que nunca!”
Depois de 2 anos da realização da viagem, e passado 1 ano desde a última paragem pelos Fjords, chegamos finalmente a Stockholm.
A cidade de Stockholm é uma cidade cosmopolita, movimentada, extensa, monumental cheia de diversidade bem evidenciada pelo contraste quase absurdo do funcionalismo imponente dos grandes edifícios e avenidas modernistas com a elegância, refinamento e detalhe das grandiosas alamedas clássicas e monumentais palácios, teatros e museus da era barroca pautados pelas elaboradas pontes de ferro e pedra.
Debaixo de toda esta monumentalidade fora de escala, sobrevive abafado, um espírito herdado certamente da era medieval num entrelaçar de ruas e ruelas, de pracetas e becos onde se encontram pequenos cafés, espalanadas, confeitarias, padarias e todo o tipo de comércio citadino mais bucólico.
Apesar desta clivagem temporal que se vê na cidade, há um factor comum que a preenche sem dó nem piedade: uma atmosfera fria e quase desumana estende-se pelos enormes lagos e canais que abundam por toda a cidade e estrangulando-a, deitam por terra os esforços do calor dos edifícios coloridos, das inúmeras pontes que ligam as ilhotas e penínsulas numa tentativa de gerar comunicação que no entanto parecem ser quebradas como fios de uma teia de aranha sempre que as pesadas nuvens do céu se fundem com as águas cinzentas e engolem a cidade num mar de tristeza e desolação.

