Eterna

Deserto

Para fazer uma pausa nas eleições norte-americanas, resolvi colocar uma breve referência a uma adaptação televisiva da série literária de Frank Herbert, Dune. A adaptação sofre de problemas bem visíveis de orçamento mas captura por vezes o espírito das obras no seu pleno. Para mim, um dos pontos altos das adaptações, é em Children of Dune a sua soberba banda sonora da autoria de Brian Tyler.

O realizador parece partilhar este ponto de vista uma vez que dedicou no filme, uma pequena montagem acompanhada pela versão completa da melhor música da banda sonora, Inama Nushif. Brian Tyler fez um trabalho fantástico sobretudo tendo em conta o baixo orçamento e escreveu esta pequena peça utilizando linguagem frémen (língua dos nativos frémen de Arrakis) extraída das várias obras do autor e é dedicada à protagonista e antagonista da obra, Alia Atreides.

Brian Tyler considerou na altura esta a sua melhor composição e eu do que conheço da obra dele estou de acordo, não por uma questão de demérito das outras mas por mérito próprio desta banda sonora.

Deixo aqui a letra original e a sua tradução juntamente com a montagem no filme:

 

 

Inama Nushif   Ela é Eterna
     
Inama nushif   Ela é eterna
Al asir hiy ayish   Intocável pela malícia
     
Lia-anni   Única e singular, não conhece tempo ou era
Zaratha zarati   Num enlace eterno
     
Hatt al-hudad   Através da tempestade
Al-maahn al-baiid   Seja dilúvio ou areia
Ay-yah idare   Uma voz singular
Adamm malum   Ergue-se na corrente
     
Hatt al-hudad   Através da tempestade
Al-maahn al-baiid   Seja dilúvio ou areia
Ay-yah idare   Uma voz singular
Adamm malum   Ergue-se na corrente
     
Inama nishuf al a sadarr A sua voz canta para sempre
Eann zaratha zarati   Através das eras num enlace perpétuo
     
Kali bakka a tishuf ahatt Com a dádiva de um sacrifício
Al hudad alman dali   Sem igual
     
Inama nishuf al a sadarr A sua voz canta para sempre
Eann zaratha zarati   Através das eras num enlace perpétuo
     
Kali bakka a tishuf ahatt A dádiva de um sacrifício
Al hudad alman dali alia Um dia por Alia cumprido
     
Inama nushif   Ela é eterna
Al asir hiy ayish   Intocável pela malícia
     
Lia-anni   Única e singular, não conhece tempo ou era
Zaratha zarati   Num enlace eterno

 
Brian Tyler

End of…

The fate of Death…

 

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Fecho?

E é com esta pergunta que fecho os meus comentários aos Jogos Olímpicos de 2008. Espero bem que as minhas esperanças e expectativas em relação à China se realizem num futuro próximo. A cerimónia de fecho foi mais uma vez soberba, e embora mais descontraída e festiva que a cerimónia de abertura, providenciou ao espectador um espectáculo de rara beleza com ênfase para a fabulosa chama humana, chama essa que a China quer que arda para todo o sempre mesmo depois do emocionado extinguir da chama olímpica no emblemático “Ninho de Pássaros”.

Aquilo que menos impressionou em toda cerimónia foi, como não podia deixar de ser, a modesta apresentação britânica que a meu ver se ridicularizou completamente ao destacar sobretudo o futebol, desporto esse que está longe de ser relevante no quadro da tradição olímpica, mas pronto… Muda-se de país, mudam-se as vontades…

London 2012

Ficou bem patente a dificuldade que os britânicos terão para igualar a espectacularidade dos Jogos de Pequim com a entrega do testemunho e honestamente, boa sorte, e pelo aspecto do logotipo e entrega de testemunho, acho que vão precisar…

Foi também aqui que se consagrou campeão da prova rainha dos Jogos Olímpicos, a Maratona, o queniano Samuel Wansiru que fez uma prova espectacular num disputadíssimo final em que quebrou com 2 horas 6 minutos, 32 segundos record de 2 horas, 9 minutos 21 segundos de Carlos Lopes de Los Angeles 1984. Jaouad Gharib of Morocco também quebrou o record 2 horas, 7 minutos e 16 segundos. Dramática foi a medalha de Bronze, onde o etíope Tsegay Kebede com 2 horas e 10 minutos ultrapassou praticamente na linha de meta o seu compatriota Martin Lel que veio na cabeça da corrida durante muito tempo, não conseguindo resistir no final. Foi sem dúvida a consagração mais espectacular de todo o evento uma vez que coincidiu com a cerimónia de fecho.

Seja como for, avaliem por vós próprios a cerimónia que aqui deixo desde já.

Estes foram para mim, os Jogos Olímpicos mais fantásticos de sempre e espero bem que a China aproveite bem a imagem positiva que deixou, não para mascarar os aspectos negros do regime Chinês (o que pode muito bem acontecer) mas sim para os abandonar progressivamente.

Como comentário rápido à nossa participação, penso que o nosso maior erro mais uma vez e à semelhança do Euro, foi a abertura da Caixa de Pandora com o anúncio tão mediático e histérico das expectativas. Fossem elas realizáveis ou não, penso que não é a festejar medalhas antes das vitórias que se pavimenta o caminho do sucesso.

De resto penso que os resultados foram bastante razoáveis. Duas medalhas mas muitos lugares de destaque infelizmente não muito comentados na comunicação social.