Arquivo mensal para August, 2008

It is time for a change!

Al Gore em Denver 2008

Outro discurso que penso ser de grande relevo na Democrat National Convention 2008 foi sem dúvida a intervenção de Al Gore já no Mile High Stadium. Este escolheu um discurso fortemente centrado nas questões ambientais que depois da sua derrota em 2000 se tornaram a sua imagem de marca e luta política que lhe viria a dar o prémio Nobel da Paz em 2007.

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Eterna

Deserto

Para fazer uma pausa nas eleições norte-americanas, resolvi colocar uma breve referência a uma adaptação televisiva da série literária de Frank Herbert, Dune. A adaptação sofre de problemas bem visíveis de orçamento mas captura por vezes o espírito das obras no seu pleno. Para mim, um dos pontos altos das adaptações, é em Children of Dune a sua soberba banda sonora da autoria de Brian Tyler.

O realizador parece partilhar este ponto de vista uma vez que dedicou no filme, uma pequena montagem acompanhada pela versão completa da melhor música da banda sonora, Inama Nushif. Brian Tyler fez um trabalho fantástico sobretudo tendo em conta o baixo orçamento e escreveu esta pequena peça utilizando linguagem frémen (língua dos nativos frémen de Arrakis) extraída das várias obras do autor e é dedicada à protagonista e antagonista da obra, Alia Atreides.

Brian Tyler considerou na altura esta a sua melhor composição e eu do que conheço da obra dele estou de acordo, não por uma questão de demérito das outras mas por mérito próprio desta banda sonora.

Deixo aqui a letra original e a sua tradução juntamente com a montagem no filme:

 

 

Inama Nushif   Ela é Eterna
     
Inama nushif   Ela é eterna
Al asir hiy ayish   Intocável pela malícia
     
Lia-anni   Única e singular, não conhece tempo ou era
Zaratha zarati   Num enlace eterno
     
Hatt al-hudad   Através da tempestade
Al-maahn al-baiid   Seja dilúvio ou areia
Ay-yah idare   Uma voz singular
Adamm malum   Ergue-se na corrente
     
Hatt al-hudad   Através da tempestade
Al-maahn al-baiid   Seja dilúvio ou areia
Ay-yah idare   Uma voz singular
Adamm malum   Ergue-se na corrente
     
Inama nishuf al a sadarr A sua voz canta para sempre
Eann zaratha zarati   Através das eras num enlace perpétuo
     
Kali bakka a tishuf ahatt Com a dádiva de um sacrifício
Al hudad alman dali   Sem igual
     
Inama nishuf al a sadarr A sua voz canta para sempre
Eann zaratha zarati   Através das eras num enlace perpétuo
     
Kali bakka a tishuf ahatt A dádiva de um sacrifício
Al hudad alman dali alia Um dia por Alia cumprido
     
Inama nushif   Ela é eterna
Al asir hiy ayish   Intocável pela malícia
     
Lia-anni   Única e singular, não conhece tempo ou era
Zaratha zarati   Num enlace eterno

 
Brian Tyler

McCain was wrong, Barack Obama was right

Joe Biden em Denver 2008

Chega a vez de Joe Biden. Um candidato claramente mais típico dentro do panorama político norte-americano. Com 66 anos, branco, bem mais velho que Obama, experiência na Administração Interna e nos Negócios Estrangeiros tendo sido membro dos United States Senate Committee on the Judiciary e do United States Senate Committee on Foreign Relations, penso que a escolha deste pulso forte mais clássico no estilo americano foi feita para agradar ao eleitorado mais conservador com dúvidas relativamente a Obama.

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Who can we trust to keep America safe?

John Kerry em Denver 2008

De início não planeava comentar o discurso de John Kerry, mas depois de o ver na íntegra penso que seria completamente injusto se não o fizesse. Depois de um discurso muito criticado há 4 anos numa campanha que não lhe chegou para vencer as eleições contra um Bush algo desgastado, Kerry surge agora com um discurso muito forte e arrasador para McCain.

O seu discurso algo curto (e certamente não tão aplaudido como o dos outros oradores) centrou-se em dois pontos chave que foram também abordados por Biden mas com menos incidência: a sabedoria de Barack Obama face à política externa e militar sobretudo e a inépcia e duplicidade de McCain como candidato e senador, num fabuloso jogo de palavras referindo a “dupla personalidade” de McCain.

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Obama will do better!

Bill Clinton em Denver 2008

Foi esta a mensagem mais forte no discurso de Bill Clinton na Democrat National Convention 2008. O discurso começou com algumas referências de peso da esfera democrata de Obama como Joe Biden mas em especial à sua mulher, Hillary Clinton.

Com um discurso bem mais apagado que esta última, ele basicamente sublinhou muitos dos pontos que ela própria apontou no seu discurso ao entregar o seu programa nas mãos de Obama, depois disso entrou num spree de elogios ao candidato democrata em que o cerne da mensagem era: “America can do better! Obama will do better!”.

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Onde estão os amigos da Rússia?

Depois da reunião da Organização para a Cooperação de Xangai, a Rússia confirmou a magnitude do desafio que enfrenta contra o mundo depois de declarar unilateralmente a independência das repúblicas separatistas da Geórgia.

É preciso lembrar que os países integrantes da OCX com estatuto de membro são: China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão.

Ora, o não apoio da declaração de independência somado à preocupação com a situação na mesma demonstrada em particular pela China põe a Rússia numa situação desconfortável.

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Express Yourself

Logotipo oficial dos domínios .me.

Como talvez saibam, o país recente anteriormente integrado na Sérvia e Montenegro foi oficialmente reconhecido pela toda poderosa IANA e restantes entidades reguladores dos nomes na Internet. O .me foi aceite para ser o domínio do Montenegro e como sabem esta terminação está muito em vogue na Internet 2.0, a Internet das pessoas vulgares, a Internet de quem se quer expressar das mais variadas formas, a Internet “express yourself”.

A seguir a tendência de serviços como o MobileMe da Apple, o Montenegro aproveitou o seu espectacular domínio .me para fomentar este espírito em potenciais clientes interessados em comprar domínios .me. E foi nesse espírito que o domain.me foi construído, claramente virado para o mundo global mais que propriamente para o Montenegro propriamente dito com lemas como “express yourself” ou “.me is about you”.

Porque sou uma fashion whore (e também porque os outros domínios estavam ocupados e porque .pt é caríssimo) resolvi aderir a esta moda e adquiri um domínio novo para este espaço como talvez já terão reparado: eccehomo.me.

Notem que o antigo domínio eccehomo.nfist.ist.utl.pt continua activo e reenvia para o novo, por isso não irão haver quaisquer problemas.

Por isso, parece que me is about me. :D

End of…

The fate of Death…

 

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Fecho?

E é com esta pergunta que fecho os meus comentários aos Jogos Olímpicos de 2008. Espero bem que as minhas esperanças e expectativas em relação à China se realizem num futuro próximo. A cerimónia de fecho foi mais uma vez soberba, e embora mais descontraída e festiva que a cerimónia de abertura, providenciou ao espectador um espectáculo de rara beleza com ênfase para a fabulosa chama humana, chama essa que a China quer que arda para todo o sempre mesmo depois do emocionado extinguir da chama olímpica no emblemático “Ninho de Pássaros”.

Aquilo que menos impressionou em toda cerimónia foi, como não podia deixar de ser, a modesta apresentação britânica que a meu ver se ridicularizou completamente ao destacar sobretudo o futebol, desporto esse que está longe de ser relevante no quadro da tradição olímpica, mas pronto… Muda-se de país, mudam-se as vontades…

London 2012

Ficou bem patente a dificuldade que os britânicos terão para igualar a espectacularidade dos Jogos de Pequim com a entrega do testemunho e honestamente, boa sorte, e pelo aspecto do logotipo e entrega de testemunho, acho que vão precisar…

Foi também aqui que se consagrou campeão da prova rainha dos Jogos Olímpicos, a Maratona, o queniano Samuel Wansiru que fez uma prova espectacular num disputadíssimo final em que quebrou com 2 horas 6 minutos, 32 segundos record de 2 horas, 9 minutos 21 segundos de Carlos Lopes de Los Angeles 1984. Jaouad Gharib of Morocco também quebrou o record 2 horas, 7 minutos e 16 segundos. Dramática foi a medalha de Bronze, onde o etíope Tsegay Kebede com 2 horas e 10 minutos ultrapassou praticamente na linha de meta o seu compatriota Martin Lel que veio na cabeça da corrida durante muito tempo, não conseguindo resistir no final. Foi sem dúvida a consagração mais espectacular de todo o evento uma vez que coincidiu com a cerimónia de fecho.

Seja como for, avaliem por vós próprios a cerimónia que aqui deixo desde já.

Estes foram para mim, os Jogos Olímpicos mais fantásticos de sempre e espero bem que a China aproveite bem a imagem positiva que deixou, não para mascarar os aspectos negros do regime Chinês (o que pode muito bem acontecer) mas sim para os abandonar progressivamente.

Como comentário rápido à nossa participação, penso que o nosso maior erro mais uma vez e à semelhança do Euro, foi a abertura da Caixa de Pandora com o anúncio tão mediático e histérico das expectativas. Fossem elas realizáveis ou não, penso que não é a festejar medalhas antes das vitórias que se pavimenta o caminho do sucesso.

De resto penso que os resultados foram bastante razoáveis. Duas medalhas mas muitos lugares de destaque infelizmente não muito comentados na comunicação social.

Bocas Olímpicas

Comitiva Olímpica Portuguesa

Como sabemos houve um grande circo mediático em torno das afirmações polémicas de três atletas portugueses que foram repetidas até à exaustão, isto curiosamente apesar do laconismo em relação aos mesmos até às afirmações polémicas que proferiram. Anonimato esse em que permaneceram por completo os atletas olímpicos não medalhados apesar da conquista de lugares de grande relevo entre os primeiros 10 por parte de muitos e records nacionais e pessoais batidos.

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Ceifada no Ocidente, Martelada no Cáucaso

Exército Russo

E se depois dos abusos norte-americanos, da indiferença da Europa e daquilo que parecia ser a trovoada russa, eis que só agora ouvimos os verdadeiros trovões desta tempestade política: o presidente Medvedev ouviu a Duma e declarou unilateralmente a independência das regiões separatistas da Geórgia, a Abkházia e a Ossétia do Sul.

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Obama goes up the Hill(ary)

Hillary Clinton em Denver 2008

Foi com grande agrado que ouvi o fabuloso discurso de Hillary Clinton hoje em Denver. Hillary começou por centrar muito o discurso em si mesma e por momentos quase parecia que estava a “esquecer-se” de Obama uma vez que falou muito de si mesma, do seu programa eleitoral, objectivos, crenças, etc.

Mas ao bom estilo do do dramatismo hollywoodesco norte-americano, a meio da longa exposição em que já se viam algumas caras demasiado sérias talvez por causa do centralismo do discurso na sua pessoa, eis que ela entrega todo o seu programa eleitoral nas mãos de Obama numa verdadeira bandeja de prata cumprindo a tão esperada unificação dos democratas.

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Teologia Bancária

Sede da Caixa Geral de Depósitos

Ainda antes de andar pelo Instituto Superior Técnico a tirar fotografias, comecei no dia anterior por um edifício vizinho: o opulento e gigantesco complexo Sede do Grupo Caixa Geral de Depósitos situado no local da antiga Companhia das Fábricas de Cerâmica Lusitana na Avenida João XXI entre a Praça de Londres e o Campo Pequeno.

Qualquer pessoa que já tenha tido oportunidade de observar este colosso, ficou sem dúvida impressionada pela sua dimensão claramente absurda. No meu caso, fiquei ainda mais pela personalidade arquitectónica do complexo que é explicitamente uma espécie de imitação disforme pós-moderna da grandiosa arquitectura religiosa neo-clássica presente em Itália, com especial relevo para o Vaticano.

Tendo em conta todos os paralelismos arquitectónicos, os inúmeros aspectos assumidamente simbólicos e a própria escala da obra, não é com muito esforço que todo o edifício me parece uma verdadeira provocação de dimensões que falam por si, do poder terreno representado pelo dinheiro e pela alta finança ao poder divino que basicamente nos parece dizer asserivamente:

O único Deus do Mundo é o Dinheiro.

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Ansiedade, Desespero e Grito

O Grito de Edvard Munch

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Lógica Invertida

Talvez seja pela aproximação do Irão à Organização para Cooperação de Xangai (organização internacional fundada por 5 países no orientais em 2001: China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão mas que já conta com muitos países “pretendentes” sendo eles a Índia, a Mongólia, o Paquistão e o Irão, mas por aquilo que nos chega pelos meios de comunicação social, parece que a Rússia aprendeu a famosa lógica invertida de Ahmadinejad, bem conhecida dos ocidentais aquando da discussão do programa nuclear iraniano.

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