
Esta história tem cerca de um ano e eis que noto este post incompleto e abandonado não publicado e por isso aqui fica a história trágica do meu PowerBook:
Era uma vez um PowerBook que sofreu há dois anos, um upgrade de 2 GB de RAM e há um ano uma bateria nova, troca do velho disco de 80 GB, 4200 RPM da Fujitsu por um Hitachi Travelstar 5K160 de 160 GB, 5400 RPM, e ainda a compra forçada de um novo carregador à última da hora para substituir o antigo que já tinha queimado no fio uma vez e voltou a repetir a proeza então (mesmo depois de reparado com alguma improvisação por parte de um colega meu, dotado nestas coisas).
Ao fim de 3 anos e meio de serviço fiel com muito poucas falhas, quis assegurar o funcionamento do meu PowerBook G4 17” 1.33GHz por mais 2 anos pelo menos como minha principal máquina de trabalho.
Até resolvi aproveitar os upgrades como desculpa para finalmente me ver livre da instalação de Mac OS X que era a mesma desde a compra do computador e portanto já tinha sofrido dois major updates em cima, primeiro de Jaguar para Panther e depois de Panther para Tiger, e instalar tudo de raiz no novo disco.
E se a informática fosse um mar de rosas, neste caso de maçãs, este post ficaria por aqui, mas na verdade houve uma pequena saga associada a cada um dos upgrades…
Os problemas, por incrível que pareça, começaram com a inocente (pensava eu) substituição da bateria. Após a substituição da bateria, comecei novamente a utilizar o portátil utilizando a energia de reserva. Para minha estupefacção, começo a sofrer kernel panics em situações particulares mas aparentemente aleatórias. Iam desde a ligação de dispositivos USB, durante playing de vídeos ou música, durante web browsing… Demorou até perceber que não havia forma aparente de isolar as situações de panic excepto que ocorriam em modo bateria e com alguma actividade no computador.
Ainda me ocorreu que estivesse relacionado com problemas da bateria e tarefas de stress com o CPU, mas testei aplicações computacionais bem mais chatas que as tarefas acima explicitadas e o computador não se queixou durante horas de funcionamento.
Depois de dias e dias de mistério e bateria nova ilibada (através de testes com a antiga) bem como milhentas hipóteses e teorias que explicassem o funcionamento deficiente da máquina, procedi à substituição do disco e do sistema operativo (afinal, podia ser apenas um problema obscuro devido ao software decrépito da máquina) e eis que para minha ainda maior surpresa, os problemas com os mesmos sintomas ocorriam agora também com o computador ligado à corrente.
O sofrimento continuou com mais hipóteses e teorias sem verificação possível ou falhada, trocas e mais trocas, retornos e regressos na configuração, mas pior de tudo, sempre sem esperança de uma solução. Eis que no píncaro do desespero me ocorreu uma ideia estapafúrdia, a RAM. Não fazia qualquer sentido porque o computador utilizava a RAM nova há mais de um ano e os problemas tinham começado com a nova bateria. Mas antes de declarar o computador “morto”, coloquei o DIMM original de 512 MB e surpresa das surpresas, nem a mais pequena sombra de instabilidade.
Isto levou-me a uma única teoria que verifiquei estar certa. Na instalação original, o computador estava programado para impor Automatic Performance em Battery Mode e Highest Performance em Power Adapter Mode mas por default, esta opção vem em Automatic Performance para os dois modos de consumo energético. Não é preciso ser um génio para saber que esta opção regula entre outros parâmetros, a voltagem do sistema. Coloquei então os dois modos em Highest Performance, troquei as memórias de regresso às novas et voilá, problema resolvido. Nem uma sombra do mais pequeno problema.
Depois de descobrir este problema e solução pesquisei a documentação e fóruns técnicos da Apple e descobri algo. As duas primeiras versões dos PowerBooks 17” (Rev. A e B) bem como cada um dos primeiros modelos de 15” e 12” são muito exigentes no que diz respeito à RAM. Exigem RAM que cumpra estrictamente os standards da indústria. Mas surpresa das surpresas, só existem 3 fabricantes (Samsung, Kingston e Crucial) que os cumprem e dois deles (Kingston e Crucial) apenas em versões especiais mais caras. Basicamente as marcas fabricam de acordo com uma regra simples e lucrativa, desde que funcione na maioria dos testes reais feitos por eles, eles dão-se por felizes e vendem. As mais escrupulosas lançam versões mais caras que cumprem os requisitos.
Meses mais tarde quando quis instalar a versão final do Leopard, já depois de identificado o problema anterior, eis que o meu PowerBook acaba por sofrer um esmagamento acidental enquanto ligado e aberto que destruiu por completo a matriz do LCD. Tive que lhe remover o LCD e ainda hoje, um ano depois do acidente, ele assim continua perfeitamente funcional apesar de tudo, agora já com quase 5 anos de idade, e nele escrevo este post.

Para instalar o sistema operativo nestas condições foi algo traumático porque por default, o instalador do Mac OS X reconhece como ecrã único o ecrã do portátil que agora não existia. Tive que editar manualmente o ficheiro de configuração (cujo nome não me recordo) .plist, criar uma versão modificada com esse novo ficheiro de forma a usar o ecrã externo pela ficha DVI e não o ecrã intrínseco e lá consegui tratar da minha vida.
E assim terminou o péssimo ano de 2007 para o meu PowerBook, ou devo dizer PowerBoard…
