Ainda antes de andar pelo Instituto Superior Técnico a tirar fotografias, comecei no dia anterior por um edifício vizinho: o opulento e gigantesco complexo Sede do Grupo Caixa Geral de Depósitos situado no local da antiga Companhia das Fábricas de Cerâmica Lusitana na Avenida João XXI entre a Praça de Londres e o Campo Pequeno.
Qualquer pessoa que já tenha tido oportunidade de observar este colosso, ficou sem dúvida impressionada pela sua dimensão claramente absurda. No meu caso, fiquei ainda mais pela personalidade arquitectónica do complexo que é explicitamente uma espécie de imitação disforme pós-moderna da grandiosa arquitectura religiosa neo-clássica presente em Itália, com especial relevo para o Vaticano.
Tendo em conta todos os paralelismos arquitectónicos, os inúmeros aspectos assumidamente simbólicos e a própria escala da obra, não é com muito esforço que todo o edifício me parece uma verdadeira provocação de dimensões que falam por si, do poder terreno representado pelo dinheiro e pela alta finança ao poder divino que basicamente nos parece dizer asserivamente:
O único Deus do Mundo é o Dinheiro.
Mas considerações filosóficas e artísticas aparte, antes de mais uma pequena introdução: sendo um verdadeiro símbolo do corporativismo e poderio financeiro tão em vogue na época, o imponente edifício foi projectado pelo arquitecto Arsénio Cordeiro nos anos 80 tendo o projecto final sido concluído em 1989.
Após a introdução de modernizações sucessivas evidentes ao longo da obra, houve uma redução de 14500 metros quadrados de área ocupada, cerca de 7% relativamente ao projecto original (imagine-se portanto, o tamanho original da coisa…). As obras deram início ainda em 1987 tendo terminado em 1993 quando o edifício foi finalmente inaugurado e gradualmente ocupado.
Além dos inúmeros escritórios de empresas do Grupo CGD e da Caixa Geral de Aposentações, o complexo é ainda a casa da Culturgest e possui dois auditórios polivalentes, duas galerias de exposições, salas periféricas de reuniões, sala de imprensa entre outras estruturas de apoio.
Por fim, inclui ainda um posto clínico multiespecializado, um ginásio, vários restaurantes, cozinha, tipografia, reprografia, arquivos, armazéns, parqueamentos para 1150 viaturas e oficinas de manutenção e instalações técnicas.
Relativamente às obras de arte presentes no interior e exterior, prefiro citar o próprio site da CGD sobre o assunto:
O edifício apresenta diversas obras de arte nas zonas abertas ao público, nomeadamente as portarias, assinalando-se tapeçarias, de Júlio Pomar e Júlio Resende, painéis de azulejo de Graça Morais e Sá Nogueira, abóbada em mosaico vítreo, de Eduardo Nery, motivos escultóricos de Lagoa Henriques, Ascânio Monteiro, Clara Menéres e Fernando Conduto, bem como pintura de António Charrua.
Toda esta e possivelmente mais informação aqui.
De resto, quero apenas agradecer à Caixa Geral de Depósitos e seus funcionários pela autorização para fotografar as obras de arte no interior do edifício (desde que atendendo a preocupações mínimas de segurança nestas circunstâncias) onde curiosamente existe mais transigência que no IST.
A galeria está aqui juntamente com os habituais comentários.

