Bocas

Onde estão os amigos da Rússia?

Depois da reunião da Organização para a Cooperação de Xangai, a Rússia confirmou a magnitude do desafio que enfrenta contra o mundo depois de declarar unilateralmente a independência das repúblicas separatistas da Geórgia.

É preciso lembrar que os países integrantes da OCX com estatuto de membro são: China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão.

Ora, o não apoio da declaração de independência somado à preocupação com a situação na mesma demonstrada em particular pela China põe a Rússia numa situação desconfortável.

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Lógica Invertida

Talvez seja pela aproximação do Irão à Organização para Cooperação de Xangai (organização internacional fundada por 5 países no orientais em 2001: China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão mas que já conta com muitos países “pretendentes” sendo eles a Índia, a Mongólia, o Paquistão e o Irão, mas por aquilo que nos chega pelos meios de comunicação social, parece que a Rússia aprendeu a famosa lógica invertida de Ahmadinejad, bem conhecida dos ocidentais aquando da discussão do programa nuclear iraniano.

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Imparáveis

Já que tenho sido prolífico nos meus comentários ao longo dos Jogos, não posso deixar de referir duas grandes prestações no atletismo certamente reconhecidas por todos.

Falo é claro do incrível Usain Bolt. Este gigante de 1.96 m com apenas 22 anos de idade é um deus da velocidade e pulverizou por completo os records mundiais das provas onde participou.

O espanto começou nos 100 metros em que ultrapassou com facilidade os adversários ficando 0.2 segundos acima do segundo classificado Richard Thompson que discutiu o lugar por apenas 0.02 segundos com o terceiro Walter Dix, mas penso que ninguém esperava a forma aparentemente fácil  com que ganhou os 200 m sobretudo tendo em conta a fadiga imposta pelas primeiras provas, em que nem parece dar o seu máximo mas ficando 0.66 segundos acima de Shawn Crawford que diferiu apenas 0.02 segundos do seu compatriota Walter Dix.

E depois destas duas medalhas conquistadas por um abismo, na prova de estafetas 4 x 100 m os jamaicanos ficaram 0.96 segundos acima da Trinidad e Tobago que ficou 0.09 segundos acima dos japoneses (que tiveram uma prova espectacular).

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Salto para a vitória

Mais um bom resultado na marcha para Portugal, desta vez nos 50 Km masculino em que António Pereira não só cumpriu mas bateu as expectativas ao fazer um final de prova muito esforçado em que conseguiu subir de 12º para 11º lugar onde terminou a prova com 3:48:12 batendo o record nacional desta modalidade, 11 minutos e 3 segundos abaixo do campeão olímpico, Alex Schwazer que fez uma prova fantástica. Parabéns ao António Pereira.

Hoje na final de salto à vara viveram-se emoções incríveis. O Steve Hooker debateu-se até ao fim com o Evgeny Lukyanenko mas apesar da aparente vantagem do russo, ao fazer cair a barra nos 5.90 em dois saltos dos 3 saltos para esta altura por uma verdadeira unha negra e denunciado o cansaço no segundo salto da série, eis que Hooker exactamente nas mesmas condições (5.85 m), surpreende tudo e todos agarrando o ouro num salto fabuloso de 5.96 m na última tentativa que caso falhasse exigiria a decisão por morte súbita entre os dois atletas.

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Ouro e sofrimento

E lá apanhamos uma medalha de ouro pelas pernas do Nelson Évora que num triplo salto fantástico nos assegurou a vitória sobre o Reino Unido e as Bahamas. Como nestes casos há pouco a dizer, parabéns!

Ontem foi um dia de provas espectaculares, a prova de 20 Km de marcha terminou debaixo de muita chuva de água e lágrimas com a vitória destacada de Olga Kaniskina a 24 segundos da segunda atleta, Kjersti Tysse Platzer que ficou apenas com 5 segundos a menos da italiana Elisa Rigaudo. Foi uma prova disputadíssima até ao último passo, com muitos nervos, muito sofrimento mas sobretudo persistência sem paralelo. 

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Big Brother

Não pude deixar de rir (para não chorar) mais uma vez da fabulosa qualidade da televisão pública. A RTP passou hoje uma curta peça sobre o alegado “excesso de vigilância”, em particular para a forte presença de câmaras de video em todos os recantos de Pequim exprimindo uma clara e cínica opinião de crítica mostrando algumas opiniões negativas por parte de um norte-americano, não dando qualquer espaço a outros pontos de vista excepto às bocas dos jornalistas e narrador.

Pergunto-me se irão ser feitas peças de igual conteúdo aquando da realização dos Jogos de 2012 num dos países com maior número de câmaras de vigilância no mundo, o Reino Unido com mais de 4 milhões de câmaras sendo Londres uma campeã  mundial neste método de prevenção do crime que aparentemente falhou total e completamente.

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Por uma unha negra…

E foi assim que Gustavo Lima ficou fora do pódio por um ponto na classe Laser de Vela. Do que segui das regatas não consigo apontar nada de negativo. Este atleta foi 6º e 5º nas últimas duas edições e em todas as regatas teve uma prestação de esforço invulgar. Foi com grande emoção que vi os momentos finais da medal race e se há quartos que valem como medalhas, Gustavo Lima é sem dúvida um deles.

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Pisar o risco…

Naide Gomes é então eliminada das finais do salto em comprimento depois de uma prestação pautada pelo nervosismo que começou com 2 saltos nulos em cima da linha e um terceiro salto, onde visivelmente traumatizada pelo passo largo das duas primeiras tentativas, Naide trava e quase pára dando passinhos pequenos o que a deixou bastante abaixo dos 6,75 com 6,29 metros. Infelizmente o desporto não é pautado apenas por vitórias e foi numa emoção de lágrimas e profunda tristeza, que Naide se despediu com o consolo na altura da colega sueca Carolina Kluft.

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Racismo federativo

“O português não tem condições fisionómicas para a alta competição, à excepção do futebol e em casos particulares, em que pontualmente tivemos atletas de grande nível. Com mudança nas mentalidades, com a mesclagem das raças e mestiçagem em que Portugal sempre foi fértil, vamos ter corpos para todas as modalidades. Corpos que serão fruto da força imigrante (…) sobretudo de países de Leste (…).”

Pois é… De acordo com esta ave rara, Paulo Frischknecht, actual Presidente da Federação Portuguesa de Natação, os portugueses parecem ser uma espécie de raça inferior… Sim senhor…

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A primeira medalha

Cumprindo as expectativas, Vanessa Fernandes conquistou esta madrugada no triatlo, numa competição emotiva, a primeira medalha portuguesa nos Jogos arrecadando numa competição emotiva, a prata para Portugal. Parabéns Vanessa!

Depois da desgraça política que foi Luís Felipe Menezes para a credibilidade da oposição política portuguesa, parece que nem tudo o que vem de Gaia são desgraças.

Saudosismo Salazarista?

Um dos irmãos Quina, vencedor da prata na Vela de classe Star da edição de Roma de 1960, num debate da RTP comparou a actual falta de condições no admirável Portugal novo democrático pós-revolucionário com o Portugal salazarista em que garantiu que a então Mocidade Portuguesa assegurava todas as condições desportivas para práctica da vela incluindo a disponibilização de embarcações a custo 0, coisa que hoje em dia tem que ser inteiramente assegurada pelos atletas individualmente ou pelas suas famílias.

Fica a dúvida, será mero saudosismo salazarista ou um triste sintoma da desorientação nacional e elitismo a que está sujeito o desporto e juventude nacional?

Libertinagem de Imprensa

Aparentemente, Joaquim Agostinho, antigo jornalista da RTP, ao surpreender um dos irmãos Quina aquando conquista da prata nos Jogos de Roma de 1960 com uma entrevista às 6 da manhã, respondeu jocosamente à surpresa do atleta com uma afirmação bastante curiosa: “Não se preocupe com as perguntas que eu respondo por si.”

Fica a dúvida se esta frase não será um reflexo do actual estado da actividade jornalística global nos dias de hoje.

Glórias, derrotas e consolação

Francis Oblikwelu não é apurado para os 100 m e desiste dos 200 m. Depois de uma postura de humildade singular e gratidão sincera ao povo português, Oblikwelu abandona o atletismo sem medalhas em Pequim mas com um lugar especial no coração dos portugueses. Os meus parabéns!

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Portugal escapa à recessão

Contrariando todas as expectativas e o afundamento da economia neste trimestre, Portugal escapa apresentando um crescimento de 0.4% juntamente com Espanha com 0.1%. Apesar deste resultado positivo, houve uma quebra de 0.5% face ao ano anterior. Ainda assim, Portugal manteve um resultado no meio do pântano económico mundial e até superou a mística economia espanhola. Será que os sacrifícios impostos por Sócrates e Teixeira dos Santos começam finalmente a surtir resultados?

Bloco equipara Pequim 2008 a Berlim 1936

Bloco de Esquerda equipara Jogos Olímpicos de Pequim deste ano com os jogos nazis de Berlim em 1936 numa habitual postura paternalista de extremismo unilateral pautada parcialmente por mitos urbanos que revelam uma compreensão da cultura e costumes orientais baseada em propaganda e viagens turísticas de uma semana ou duas entrando em contradição com os próprios chineses emigrados e ocidentais lá residentes.