Publicado a Friday, 13 de July de 2007 .
Como acho que é notório pela ausência total de posts nos últimos meses, o tempo tem escasseado nesta época que os estudantes universitários bem conhecem. As entregas e projectos acumulam-se, os exames e testes finais aparecem como pragas de insectos e não resta cabeça nem tempo para nada.
Passando a assuntos mais agradáveis, um dia destes, em conversa com um amigo, veio à baila um clássico do cinema italiano, o Nuovo Cinema Paradiso de Giuseppe Tornatore (só o conheço por causa deste filme). Não me vou alongar sobre o filme em si, recomendo que o vejam (eu vi-o há uns anos a altas horas da noite na RTP 2) mas acho que tem um dos finais mais bem conseguidos de sempre, sobretudo para quem tem uma veia mais lamechas ou romântica.
Quem não viu o filme e não quer um spoiler, que não veja o vídeo seguinte. No entanto devo dizer que o fim em si não é nada spoiling e acho que não se perde nada em ver este final sem tiver visto o filme.
Nota: A banda sonora é, como não podia deixar de ser, do fantástico Ennio Morricone que este ano foi finalmente galardoado com uma daquelas ridículas estátuas douradas de nome estúpido (prémio carreira) e ainda criticado por achar que não ia receber nenhum durante a vida (o senhor tem mais de 70 anos, talvez 80).
Publicado a Friday, 18 de May de 2007 .
Um grotesco thriller psicológico, horrivelmente imersivo, capaz de dobrar nervos de aço.
Sempre na perspectiva do protagonista, um telhador pobre chamado Sébastien (George Babluani), é guiado às cegas pelos labirintos do submundo até ser finalmente confrontado e forçado a participar numa macabra experiência limite.
Um filme minimalista que aposta numa atmosfera pesada, densa e profundamente noir é acompanhado de uma banda sonora que prima pelo silêncio ensurdecedor e por influências de cinema vérité.
Porque as sensações roçam o indescritível, vou colocar aqui o trailer que me motivou a ver este estranho e simples ainda que surpreendente e genial filme (dentro do seu género naturalmente).
Na atmosfera certa, acho que quase se sente o cano da arma encostado à nuca…
Publicado a Friday, 11 de May de 2007 .
Notes on a Scandal sente-se desde o primeiro segundo, como uma corrida louca pelos caminhos sinuosos da mente de Barbara Covett (Judi Dench), deformada por tendências fortemente auto-repressivas, que remetem de imediato para as reminiscências vitorianas da sociedade britânica do século XX.
O filme apresenta-se sobretudo como uma narração de Barbara do seu próprio diário onde delineia ao longo do filme, a sua relação com Sheba Hart (Cate Blanchett) bem como a sua visão da realidade onde está inserida.
Esta narração incessante é acompanhada de uma refinada banda sonora da autoria de Peter Glass que confere ao filme uma atmosfera verdadeiramente única que nos arrasta cena após cena através do calvário de solidão e amargura de Barbara e nos envolve por completo no seu grotesco e intricado mundo de ilusões que constrói habilmente através da manipulação daqueles que a rodeiam.
Não entrando em mais detalhes, foi dos melhores filmes que vi ultimamente, se bem que não tenho visto muitos. O elenco apresenta-se todo ele à altura e seria injusto se destacasse as protagonistas em favor do restante elenco uma vez que este cumpre todas as expectativas.
É um thriller psicológico muito envolvente que nos permite reflectir sobre as eventuais consequências da auto-repressão.