Tempo Para Cantar
Viver sempre sossegado
Cada amor em cada lado
Mas ele mesmo, até morrer
Vá-se lá saber
O que sentia todo o dia, até anoitecerViveu sempre, em todo o lado
Com seus dons de namorado
Sempre, sempre a envelhecer
Vá-se lá dizer
O que fazia todo o dia, até amanhecerÉ bom ter má fama
Dá para ter vazia a cama
E nesta solidão de Kant
Ser tido um grande amanteÉ bom ter de fundo
Que anda pelas bocas do mundo
E quem quiser acreditar
Ao menos não vem cá espreitarSobra-me tempo para cantar
O tempo para cantar
O tempo para cantarFez de tudo, até calçado
Mas seu jeito de empregado
Só deixava perceber
Para quem queria ver
De cada dia uma alegria, para desaparecerFez de tudo, de empregado
Só não fez do seu passado
Um segredo para esconder
Já não vai vencer
Mas respondia para se defender:É bom ter má fama
Dá para ter vazia a cama
E nesta solidão de Kant
Ser tido um grande amanteÉ bom ter de fundo
Que anda pelas bocas do mundo
E quem quiser acreditar
Ao menos não vem cá espreitarSobra-me tempo para cantar
O tempo para cantar
O tempo para cantarÉ bom ter má fama
Dá para ter vazia a cama
E nesta solidão de Kant
Ser tido um grande amanteÉ bom ter de fundo
Que anda pelas bocas do mundo
E quem quiser acreditar
Ao menos não vem cá espreitarSobra-me tempo para cantar
O tempo para cantar
O tempo para cantarBernardo Fachada
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Em virtude de mais um debate na televisão pública sobre o casamento homossexual, lembrei-me que no popular programa O Gato Fedorento Esmiuça os Sufrágios, quando confrontado com a questão do casamento homossexual, Paulo Portas respondeu com um ar de sua graça dizendo que “em Portugal, há homens que vivem com mulheres, homens que vivem com homens, mulheres que vivem com mulheres e há quem viva sozinho”, rematando com “ora, eu vivo sozinho”. Pergunto-me se será por amargura de solidão?
Lembrei-me ainda, de forma mais pertinente, de uma polémica que houve há uns tempos em torno do tradicionalíssimo e não menos pretensioso baile de finalistas da minha antiga escola, a Escola Secundária Diogo de Gouveia (antigo Liceu Nacional Diogo de Gouveia), mas vulgarmente conhecido hoje e sempre por apenas Liceu, em torno de duas raparigas que manifestaram o desejo de dançar juntas nessa ocasião. Infelizmente parece que o “preceito” voltou a imperar e as raparigas não dançaram nesse nobilíssimo evento, no entanto deixo aqui um convite…
Alguém quer dançar?

Where Do You Go To (My Lovely)
You talk like Marlene Dietrich
And you dance like Zizi Jeanmaire
Your clothes are all made by Balmain
And there’s diamonds and pearls in your hair, yes there are.You live in a fancy apartment
Off the Boulevard of St. Michel
Where you keep your Rolling Stones records
And a friend of Sacha Distel, yes you do.[You go to the embassy parties
Where you talk in Russian and Greek
And the young men who move in your circles
They hang on every word you speak, yes they do.]But where do you go to my lovely
When you’re alone in your bed
Tell me the thoughts that surround you
I want to look inside your head, yes i do.I’ve seen all your qualifications
You got from the Sorbonne
And the painting you stole from Picasso
Your loveliness goes on and on, yes it does.When you go on your summer vacation
You go to Juan-les-Pins
With your carefully designed topless swimsuit
You get an even suntan, on your back and on your legs.And when the snow falls you’re found in St. Moritz
With the others of the jet-set
And you sip your Napoleon Brandy
But you never get your lips wet, no you don’t.But where do you go to my lovely
When you’re alone in your bed
would you Tell me the thoughts that surround you
I want to look inside your head, yes I do.[You're in between 20 and 30
A very desirable age
Your body is firm and inviting
But you live on a glittering stage, yes you do, yes you do.]Your name is heard in high places
You know the Aga Khan
He sent you a racehorse for Christmas
And you keep it just for fun, for a laugh ha-ha-haThey say that when you get married
It’ll be to a millionaire
But they don’t realize where you came from
And I wonder if they really care, or give a damnBut where do you go to my lovely
When you’re alone in your bed
Tell me the thoughts that surround you
I want to look inside your head, yes i do.I remember the back streets of Naples
Two children begging in rags
Both touched with a burning ambition
To shake off their lowly brown tags, they trySo look into my face Marie-Claire
And remember just who you are
Then go and forget me forever
But I know you still bear
the scar, deep inside, yes you doI know where you go to my lovely
When you’re alone in your bed
I know the thoughts that surround you
Cause I can look inside your head.Peter Sarstedt
De bonnes raisons
Ton feu nourri de questions
Sur le pourquoi du comment,
De mon coeur et ses raisons,
Ne trouve pas de répondantJe ne manque pas
De bonnes raisons pour t’aimer
Je ne vois pas
Pour quelles raisons te les donner
Mes bonnes raisons pour t’aimer
Pourquoi te les donner?Est-ce ta jolie paire de fesses,
La peur de la solitude,
Le hasard et la paresse,
Ou une mauvaise habitude?Je ne manque pas
(Pourquoi les taire?)
De bonnes raisons pour t’aimer
Je ne vois pas
Pour quelles raisons te les donner
(De bonnes raisons pour m’aimer
Pourquoi me les donner?)Mon petit ange
Voudrait que je chante ses louanges
Gloria
Ma sainte relique
Demande son cantique des cantiques
AlléluiaPeut-être est-ce pour ton odeur
Ta façon de t’endormir,
Peut-être aussi pour ta soeur,
Ton argent ou encore pireJe ne manque pas
(Pourquoi les taire?)
De bonnes raisons pour t’aimer
Je ne vois pas
Pour quelles raisons te les donner
Mes bonnes raisons pour t’aimer
Pourquoi te les donner?Alex Beaupain
Não presto a devida atenção a quem me a merece. Aqui fica esta homenagem acompanhada de uma pequena lenda chinesa que aprendi nas aulas de Mandarim. Foi-me dita ser a origem do mais importante feriado chinês, o Festival das Luzes Claras em que são honrados os mortos.
Há muito tempo, num dos reinos que viria a formar o Império do Meio, o país que actualmente conhecemos por China, existia um Rei que além da sua Rainha, tinha várias concubinas e filhos vários. Aquando da sua morte, uma concubina ciosa dos interesses do seu filho, através das teias da intriga conseguiu afastar do poder o Príncipe filho da Rainha, legítimo herdeiro ao trono.
Usurpado, o Príncipe fugiu para um exílio em terras desoladas e distantes juntamente com o seu séquito de fiéis. Durante anos vaguearam e um dia em que atravessavam terras ermas, fustigado pelo cansaço e pela fome, o Príncipe lamenta-se faminto ao seu mais fiel General.
Motivado pela necessidade do seu Senhor, o fiel General percorreu extensas distâncias procurando caça sem nada encontrar. Eis que quando o Príncipe já havia perdido a esperança que o seu fiel súbdito lhe conseguisse algum alimento, que este surge com a mais improvável das oferendas, uma refeição de carne.
Esfaimado, o Príncipe devorou a carne sem fazer perguntas até que finda, insatisfeito, pediu mais ao fiel General. Perante este pedido, o General destapa a coxa lancetada e diz calmamente, “Se o meu Príncipe quer mais carne, posso cortar mais um pouco.” Perante esta demonstração, o Príncipe rapidamente se refreou.
Anos passaram e o Príncipe e o seu séquito reuniram as forças necessárias para recuperar o poder anos antes usurpado. Assim foi, e o Príncipe regressou ao Reino como Soberano coroado em glória.
No frenesim da vitória e do regresso ao conforto após anos de sacrifício e privação, o Príncipe e o séquito que se tornou sua corte rapidamente entraram numa vida de luxo decadente e deboche no fausto do Palácio. Confrontado com esta situação, o enfermo General renegou a vida na corte e foi viver com a sua mãe como homem pobre, seguindo o estilo de vida a que se tinha habituado durante os anos do exílio.
Não satisfeito com esta situação, o agora Rei tentou conceder as maiores honras de Estado ao antigo General. Recebendo as oferendas do seu Senhor, o General agradeceu mas recusou todas as honras bem como regressar ao Palácio.
Não aceitando esta decisão por parte do seu súbdito, o Rei enviou um séquito militar para persuadir o seu querido General. Sabendo das intenções do seu Soberano, o General fugiu com a sua mãe para a Floresta na Montanha.
Ofendido com a fuga do General, o Rei enviou o exército para o ir resgatar à velha Floresta para que este aceitasse as honras oferecidas. O exército calcorreou a Floresta e encurralou o General na Montanha.
Fracassando em encontrá-lo e com a aprovação do Soberano, o exército decidiu cercar e incinerar a Floresta para que o velho General ao fugir das chamas, fosse finalmente resgatado para poder receber as honras devidas que havia recusado.
Mas enquanto a Floresta ardia, o General tardava em aparecer e quando finalmente ficou toda a Montanha coberta por nada mais do que cinzas, o General continuava desaparecido.
Inconformado, o Rei ordenou a procura dia e noite pela Montanha. Ao entrarem numa gruta, encontraram por fim o antigo General agora calcinado abraçado à sua velha mãe.
Consumido pelo remorso, o Rei declarou então três dias sem uso do fogo para honrar a memória do seu mais fiel súbdito.
Infelizmente fui certamente pouco rigoroso na reprodução da mesma mas tentei ser o mais literal possível em relação à versão que me foi instruída em respeito ao Professor Lu Yanbin. Mas se tiverem interesse podem sempre ver uma pequena variação da mesma lenda mais historicamente detalhada aqui mas na minha opinião penso que o tom que usei foi bem conseguido baseado no meu parco contacto directo com a cultura asiática.
Nota: Podem ver a imagem completa de uma gravura em panorama “Ao longo do Rio durante o Festival das Luzes Claras”, réplica datada do século XVIII do original do século XII carregando na imagem.

Para fazer uma pausa nas eleições norte-americanas, resolvi colocar uma breve referência a uma adaptação televisiva da série literária de Frank Herbert, Dune. A adaptação sofre de problemas bem visíveis de orçamento mas captura por vezes o espírito das obras no seu pleno. Para mim, um dos pontos altos das adaptações, é em Children of Dune a sua soberba banda sonora da autoria de Brian Tyler.
O realizador parece partilhar este ponto de vista uma vez que dedicou no filme, uma pequena montagem acompanhada pela versão completa da melhor música da banda sonora, Inama Nushif. Brian Tyler fez um trabalho fantástico sobretudo tendo em conta o baixo orçamento e escreveu esta pequena peça utilizando linguagem frémen (língua dos nativos frémen de Arrakis) extraída das várias obras do autor e é dedicada à protagonista e antagonista da obra, Alia Atreides.
Brian Tyler considerou na altura esta a sua melhor composição e eu do que conheço da obra dele estou de acordo, não por uma questão de demérito das outras mas por mérito próprio desta banda sonora.
Deixo aqui a letra original e a sua tradução juntamente com a montagem no filme:
Inama Nushif Ela é Eterna Inama nushif Ela é eterna Al asir hiy ayish Intocável pela malícia Lia-anni Única e singular, não conhece tempo ou era Zaratha zarati Num enlace eterno Hatt al-hudad Através da tempestade Al-maahn al-baiid Seja dilúvio ou areia Ay-yah idare Uma voz singular Adamm malum Ergue-se na corrente Hatt al-hudad Através da tempestade Al-maahn al-baiid Seja dilúvio ou areia Ay-yah idare Uma voz singular Adamm malum Ergue-se na corrente Inama nishuf al a sadarr A sua voz canta para sempre Eann zaratha zarati Através das eras num enlace perpétuo Kali bakka a tishuf ahatt Com a dádiva de um sacrifício Al hudad alman dali Sem igual Inama nishuf al a sadarr A sua voz canta para sempre Eann zaratha zarati Através das eras num enlace perpétuo Kali bakka a tishuf ahatt A dádiva de um sacrifício Al hudad alman dali alia Um dia por Alia cumprido Inama nushif Ela é eterna Al asir hiy ayish Intocável pela malícia Lia-anni Única e singular, não conhece tempo ou era Zaratha zarati Num enlace eterno
Brian Tyler
As-tu déjà aimé?
As-tu déjà aimé
pour la beauté du geste?
As-tu déjà croqué
la pomme à pleine dent?
Pour la saveur du fruit
sa douceur et son zeste
T’es tu perdu souvent?Oui j’ai déjà aimé
pour la beauté du geste
mais la pomme était dure.
Je m’y suis cassé les dents.
Ces passions immatures,
ces amours indigestes
m’ont écoeuré souvent.Les amours qui durent
font des amants exsangues,
et leurs baisers trop mûrs
nous pourrissent la langue.Les amour passagères
ont des futiles fièvres,
et leur baiser trop verts
nous écorchent les lèvres.Car a vouloir s’aimer
pour la beauté du geste,
le ver dans la pomme
nous glisse entre les dents.
Il nous ronge le coeur,
le cerveau et le reste,
nous vide lentement.Mais lorsqu’on ose s’aimer
pour la beauté du geste,
ce ver dans la pomme
qui glisse entre les dents,
nous embaume le coeur,
le cerveau et nous laisse
son parfum au dedans.Les amours passagères
font de futils efforts.
Leurs caresses ephémères
nous faitguent le corps.Les amours qui durent
font les amants moins beaux.
Leurs caresses, à l’usure,
ont raison de nos peaux.Alex Beaupain

Iniciei este post inicialmente para comparar os hinos da antiga União Soviética com o da Federação Russa actual. Mas motivado pelos fortes acontecimentos mais recentes, associados a esta nação, não posso deixar de fazer um interregno antes de me dedicar aos hinos mais à frente.
Depois das denúncias dos crimes estalinistas e tentativas de reabilitação do Comunismo por Khrushchov, o regresso à repressão da linha dura com Brejnev, a decapitação do Comunismo por Gorbatchov e a liberalização sem freios ou regras de Iéltsin eis que Pútin parece afirmar-se agora sem quaisquer dúvidas, como um novo Brejnev.
Após muitos sinais de repressão social e política na Rússia, de pressão social, política, económica, energética e militar nos últimos tempos nas antigas repúblicas integrantes da extinta União Soviética e mais recentemente com o forte estímulo directo e indirecto, ao separatismo de províncias pró-russas em todo o mundo eslavo, em particular na Ossétia do Sul e na Abkházia que resultou até mais ver, no conflito armado com a Geórgia, Pútin confirma os piores receios.
Por isso, 20 anos depois da desfiguração do Socialismo de rosto humano proposto pelos checo-eslovacos pelo punho de ferro de Brejnev depois da Primavera de Praga, eis que a Rússia, desta vez pela mão de Pútin, parece regressar aos velhos costumes da Guerra Fria que parece no entanto estar cada vez mais quente.
Desta vez, deixo como prometi há um ano atrás, uma minúscula amostra da minha segunda viagem aos Açores. Mais uma vez a minha irmã cedeu a sua máquina, mas desta vez a dependência era maior uma vez que ela me acompanhou como anfitriã sendo que são dela algumas destas fotografias.
Infelizmente, as fotografias são muito poucas e é com pena que não levei a máquina quando dei a volta à ilha em bicicleta e me meti pelo meio da mesma, onde depois tive alguma dificuldade em sair. O Faial apesar de ser das ilhas com maior presença humana que se reflecte nos campos cultivados, nas extensas pastagens e inúmeros trilhos, aldeias e lugares, acabou por me surpreender quando me perdi no meio de montanhas e vales, nos prados muralhados pelas hortenses, uma das imagens de marca do arquipélago, que acreditem, são verdadeiras muralhas intransponíveis.
Há poucos dias, comprei o meu primeiro álbum iTunes Plus sem DRM na iTMS (iTunes Music Store). Estou completamente satisfeito, já tinha comprado anteriormente na loja normal, em que os álbuns e músicas disponíveis são protegidos por DRM e embora de qualidade satisfatória, relativamente baixa quando comparada com a loja iTunes Plus.

Não sou grande aficionado de música brasileira, acho que só tenho o álbum da Maria Rita na minha extensa biblioteca, mas depois de ter ouvido uma entrevista acompanhada de alguns temas na Antena 2, fiquei cativado pelo álbum, que combina a excelente voz de Teresa Salgueiro com algumas músicas típicas do repertório brasileiro.
Ao passear pela minha razoável biblioteca digital de música, dei de caras com o último álbum e grande êxito que António Variações publicou pouco antes da sua morte, “Dar e Receber”.

Se há música que gosto, é de boas bandas sonoras e independentemente do género, quer da música, quer do filme, bons filmes costumam ter em regra boas bandas sonoras e ouvi-las é sempre uma forma de reviver o prazer do bom filme associado é claro, ao prazer da boa música.

De bonnes raisons








