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De bonnes raisons

De bonnes raisons
Ton feu nourri de questions
Sur le pourquoi du comment,
De mon coeur et ses raisons,
Ne trouve pas de répondant

Je ne manque pas
De bonnes raisons pour t’aimer
Je ne vois pas
Pour quelles raisons te les donner
Mes bonnes raisons pour t’aimer
Pourquoi te les donner?

Est-ce ta jolie paire de fesses,
La peur de la solitude,
Le hasard et la paresse,
Ou une mauvaise habitude?

Je ne manque pas
(Pourquoi les taire?)
De bonnes raisons pour t’aimer
Je ne vois pas
Pour quelles raisons te les donner
(De bonnes raisons pour m’aimer
Pourquoi me les donner?)

Mon petit ange
Voudrait que je chante ses louanges
Gloria
Ma sainte relique
Demande son cantique des cantiques
Alléluia

Peut-être est-ce pour ton odeur
Ta façon de t’endormir,
Peut-être aussi pour ta soeur,
Ton argent ou encore pire

Je ne manque pas
(Pourquoi les taire?)
De bonnes raisons pour t’aimer
Je ne vois pas
Pour quelles raisons te les donner
Mes bonnes raisons pour t’aimer
Pourquoi te les donner?

Alex Beaupain

A natureza, em mim, é conservadora; só o espírito é revolucionário.

(…)

Há em todos nós, por mais modernos que queiramos ser, há lá oculto, dissimulado, mas não inteiramente morto, um beato, um fanático ou um jesuíta! Esse moribundo que se ergue dentro de nós é o inimigo, é o passado. É preciso enterrá-lo por uma vez, e com ele o espírito sinistro do Catolicismo de Trento.

A natureza, em mim, é conservadora; só o espírito é revolucionário.

O Hegelianismo foi o ponto de partida das minhas especulações filosóficas, e posso dizer que foi dentro dele que se deu a minha evolução intelectual.

A grande revolução… só pode ser uma revolução moral, e essa não se faz de um dia para o outro nem se decreta nas espeluncas famosas das conspirações, e, sobretudo, não se prepara com publicações rancorosas de espírito estreitíssimo e ermas da menor ideia práctica.

… Mais preciso pôr-me em comunhão com a alma colectiva.

… Fui sempre amigo de me achar em minoria.

… É preciso também chorar e amar aquilo mesmo que nos faz chorar.

Vou percebendo que o pessimismo de [Karl Edward von, 1842 – 1906] Hartmann se parece singularmente como o meu optimismo… Talvez eu tenha inventado a Filosofia do Inconsciente sem o saber!

… Choro – mas não me envergonho de chorar.

Eu cá vou indo. Cada vez mais místico e penso que daria um sofrível monge, se não fossem estes nervos miseráveis, inimigos da paz de espírito. Querem alguns dizer que muitos santos foram histéricos e nevróticos. Não posso crê-lo. Este estado de nevrose é o menos favorável à serenidade interior e, por conseguinte, à santidade.

Mas quem de amor nos lábios traz doçura
Esse é que leva a flor de uma alma pura!

Só no meu coração, que sondo e meço,
Não sei que voz, que eu mesmo desconheço,
Em segredo protesta e afirma o Bem!

E os que folgam na orgia ímpia e devassa
Ai! quantas vezes ao erguer a taça,
Param, e estremecendo, empalidecem!

Ausentes filhas do prazer: dizei-me!
Vossos sonhos quais são, depois da orgia?
Acaso nunca a imagem fugidia
Do que fostes, em vós se agita e freme?

Um século irritado e truculento
Chama à epilepsia pensamento,
Verbo ao estampido de pelouro e obus…

Mas cruzar, com desdém, inertes braços,
Mas passar, entre turbas, solitário,
Isto é ser só, é ser abandonado!

Assim a vida passa vagarosa:
O presente, a aspirar sempre ao futuro:
O futuro, uma sombra mentirosa.

(…)

Antero de Quental

As-tu déjà aimé?

As-tu déjà aimé?

As-tu déjà aimé
pour la beauté du geste?
As-tu déjà croqué
la pomme à pleine dent?
Pour la saveur du fruit
sa douceur et son zeste
T’es tu perdu souvent?

Oui j’ai déjà aimé
pour la beauté du geste
mais la pomme était dure.
Je m’y suis cassé les dents.
Ces passions immatures,
ces amours indigestes
m’ont écoeuré souvent.

Les amours qui durent
font des amants exsangues,
et leurs baisers trop mûrs
nous pourrissent la langue.

Les amour passagères
ont des futiles fièvres,
et leur baiser trop verts
nous écorchent les lèvres.

Car a vouloir s’aimer
pour la beauté du geste,
le ver dans la pomme
nous glisse entre les dents.
Il nous ronge le coeur,
le cerveau et le reste,
nous vide lentement.

Mais lorsqu’on ose s’aimer
pour la beauté du geste,
ce ver dans la pomme
qui glisse entre les dents,
nous embaume le coeur,
le cerveau et nous laisse
son parfum au dedans.

Les amours passagères
font de futils efforts.
Leurs caresses ephémères
nous faitguent le corps.

Les amours qui durent
font les amants moins beaux.
Leurs caresses, à l’usure,
ont raison de nos peaux.

Alex Beaupain

Faial 2007

Patinhos no Faial

Desta vez, deixo como prometi há um ano atrás, uma minúscula amostra da minha segunda viagem aos Açores. Mais uma vez a minha irmã cedeu a sua máquina, mas desta vez a dependência era maior uma vez que ela me acompanhou como anfitriã sendo que são dela algumas destas fotografias.

Infelizmente, as fotografias são muito poucas e é com pena que não levei a máquina quando dei a volta à ilha em bicicleta e me meti pelo meio da mesma, onde depois tive alguma dificuldade em sair. O Faial apesar de ser das ilhas com maior presença humana que se reflecte nos campos cultivados, nas extensas pastagens e inúmeros trilhos, aldeias e lugares, acabou por me surpreender quando me perdi no meio de montanhas e vales, nos prados muralhados pelas hortenses, uma das imagens de marca do arquipélago, que acreditem, são verdadeiras muralhas intransponíveis.

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A Estátua

Mão de DavidA Estátua

Em pedra me transmutei,
Em pedra me esculpi,
Em pedra me prendi!
Nesta forma, nesta prisão,
Cuja liberdade implica destruição.

Serei granito?
A rigidez, carcereiro,
Vigia com constante alento.
As grilhetas correm-me nas veias,
As correntes ligam o músculo cinzento,
Tendões de pedra em raios de feldspato,
Luto eterno num breu de mica,
Cristalizado em lágrimas de quartzo.

Serei calcário?
Porque os céus são ácidos,
Torneiam os ângulos da alma,
Com o seu clamor
E nas suas lágrimas
Relembro as minhas,
Água quente e salgada
Nascente nas faces lisas
Desta rocha quebrada.

Serei mármore?
Na amarga doçura de Ambrósia,
Numa embriaguez de Néctar,
Há muito que me perdi
Num metamorfismo de altivez,
Falsa forma humana
Na fria elegância
Dos veios de Carrara.

No teatro Humano,
Movimentos simulados, uma imitação;
Na cegueira do pedestal,
Uma mentira por definição,
Jaz este estático ideal, esta ilusão.
Esculpido sem escultor,
Estúpida criação!

André Cunha

Variações de Pessoa

Ao passear pela minha razoável biblioteca digital de música, dei de caras com o último álbum e grande êxito que António Variações publicou pouco antes da sua morte, “Dar e Receber”.

Variações e Pessoa

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