Arquivo para a categoria 'Sociedade'

Save The Last Dance For Me

Em virtude de mais um debate na televisão pública sobre o casamento homossexual, lembrei-me que no popular programa O Gato Fedorento Esmiuça os Sufrágios, quando confrontado com a questão do casamento homossexual, Paulo Portas respondeu com um ar de sua graça dizendo que “em Portugal, há homens que vivem com mulheres, homens que vivem com homens, mulheres que vivem com mulheres e há quem viva sozinho”, rematando com “ora, eu vivo sozinho”. Pergunto-me se será por amargura de solidão?

Lembrei-me ainda, de forma mais pertinente, de uma polémica que houve há uns tempos em torno do tradicionalíssimo e não menos pretensioso baile de finalistas da minha antiga escola, a Escola Secundária Diogo de Gouveia (antigo Liceu Nacional Diogo de Gouveia), mas vulgarmente conhecido hoje e sempre por apenas Liceu, em torno de duas raparigas que manifestaram o desejo de dançar juntas nessa ocasião. Infelizmente parece que o “preceito” voltou a imperar e as raparigas não dançaram nesse nobilíssimo evento, no entanto deixo aqui um convite…

Alguém quer dançar?

John McCain doesn’t get it!

Barack Obama em Denver 2008

E por fim, publico o discurso principal da convenção democrata que em boa verdade já devia ter publicado: o de Barack Obama. O discurso em si não é particularmente impressionante e limita-se a reunir quase tudo aquilo que já foi dito pelos vários apoiantes e figuras fortes do partido democrata.

A maior diferença talvez esteja na forma espectacular que o discurso tomou no Mile High Stadium além dos toques pessoais de Obama sobre o seu passado humilde e vida familiar já pisados e repisados pelos apoiantes e sua mulher. Em termos de conteúdo e depois de tanto aquecerem o palco, achei o discuro algo pobre para um candidato presidencial mas uma coisa é certa, carisma não falta a Obama e depois de ter visto a convenção republicana e a candidata à vice-presidência, Sarah Palin, não consigo perceber (ou melhor, até consigo pelas piores razões) a recente queda algo marcada deste candidato nas sondagens. 

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Iron Maiden

Michelle Obama em Denver 2008

Chegou o teste de Michelle Obama em palcos políticos. Esta irá ser a primeira First Lady americana negra caso Obama seja vencedor e parece-me a mim não tanto pelo seu discurso mas pela sua postura e reacções ao longo de toda a Democrat National Convention 2008 que esta senhora é uma verdadeira dama de ferro o que me assustou um pouco.

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Estarão os céus estão contra McCain?

Gustav

Em virtude do furacão Gustav que recentemente atingiu chegou a território norte-americano aproximando-se de New Orleans, cidade vitimizada em pelo furacão Katrina em 2005 tendo gerado a maior catástrofe natural e humana naquele país deste século com a morte de 1800 pessoas e obliteração total da cidade (que ainda não recuperou), os republicanos resolveram cancelar ou adiar inúmeros eventos da nomeação de McCain como candidato republicano.

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Obama stands on the shoulders of giants

Seria uma grande lacuna da minha parte não referir no contexto da Democrat National Convention 2008, as presenças de duas figuras de grande relevo na sociedade americana, Edward Kennedy, irmão do presidente John kennedy; e Martin Luther King III, filho de Martin Luther King Junior, o homem que liderou as massas negras nos Estados Unidos a uma demonstração pública sem precedentes de reivindicação de direitos sociais e humanos naquele país até então.

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It is time for a change!

Al Gore em Denver 2008

Outro discurso que penso ser de grande relevo na Democrat National Convention 2008 foi sem dúvida a intervenção de Al Gore já no Mile High Stadium. Este escolheu um discurso fortemente centrado nas questões ambientais que depois da sua derrota em 2000 se tornaram a sua imagem de marca e luta política que lhe viria a dar o prémio Nobel da Paz em 2007.

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McCain was wrong, Barack Obama was right

Joe Biden em Denver 2008

Chega a vez de Joe Biden. Um candidato claramente mais típico dentro do panorama político norte-americano. Com 66 anos, branco, bem mais velho que Obama, experiência na Administração Interna e nos Negócios Estrangeiros tendo sido membro dos United States Senate Committee on the Judiciary e do United States Senate Committee on Foreign Relations, penso que a escolha deste pulso forte mais clássico no estilo americano foi feita para agradar ao eleitorado mais conservador com dúvidas relativamente a Obama.

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Who can we trust to keep America safe?

John Kerry em Denver 2008

De início não planeava comentar o discurso de John Kerry, mas depois de o ver na íntegra penso que seria completamente injusto se não o fizesse. Depois de um discurso muito criticado há 4 anos numa campanha que não lhe chegou para vencer as eleições contra um Bush algo desgastado, Kerry surge agora com um discurso muito forte e arrasador para McCain.

O seu discurso algo curto (e certamente não tão aplaudido como o dos outros oradores) centrou-se em dois pontos chave que foram também abordados por Biden mas com menos incidência: a sabedoria de Barack Obama face à política externa e militar sobretudo e a inépcia e duplicidade de McCain como candidato e senador, num fabuloso jogo de palavras referindo a “dupla personalidade” de McCain.

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Obama will do better!

Bill Clinton em Denver 2008

Foi esta a mensagem mais forte no discurso de Bill Clinton na Democrat National Convention 2008. O discurso começou com algumas referências de peso da esfera democrata de Obama como Joe Biden mas em especial à sua mulher, Hillary Clinton.

Com um discurso bem mais apagado que esta última, ele basicamente sublinhou muitos dos pontos que ela própria apontou no seu discurso ao entregar o seu programa nas mãos de Obama, depois disso entrou num spree de elogios ao candidato democrata em que o cerne da mensagem era: “America can do better! Obama will do better!”.

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Onde estão os amigos da Rússia?

Depois da reunião da Organização para a Cooperação de Xangai, a Rússia confirmou a magnitude do desafio que enfrenta contra o mundo depois de declarar unilateralmente a independência das repúblicas separatistas da Geórgia.

É preciso lembrar que os países integrantes da OCX com estatuto de membro são: China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão.

Ora, o não apoio da declaração de independência somado à preocupação com a situação na mesma demonstrada em particular pela China põe a Rússia numa situação desconfortável.

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Fecho?

E é com esta pergunta que fecho os meus comentários aos Jogos Olímpicos de 2008. Espero bem que as minhas esperanças e expectativas em relação à China se realizem num futuro próximo. A cerimónia de fecho foi mais uma vez soberba, e embora mais descontraída e festiva que a cerimónia de abertura, providenciou ao espectador um espectáculo de rara beleza com ênfase para a fabulosa chama humana, chama essa que a China quer que arda para todo o sempre mesmo depois do emocionado extinguir da chama olímpica no emblemático “Ninho de Pássaros”.

Aquilo que menos impressionou em toda cerimónia foi, como não podia deixar de ser, a modesta apresentação britânica que a meu ver se ridicularizou completamente ao destacar sobretudo o futebol, desporto esse que está longe de ser relevante no quadro da tradição olímpica, mas pronto… Muda-se de país, mudam-se as vontades…

London 2012

Ficou bem patente a dificuldade que os britânicos terão para igualar a espectacularidade dos Jogos de Pequim com a entrega do testemunho e honestamente, boa sorte, e pelo aspecto do logotipo e entrega de testemunho, acho que vão precisar…

Foi também aqui que se consagrou campeão da prova rainha dos Jogos Olímpicos, a Maratona, o queniano Samuel Wansiru que fez uma prova espectacular num disputadíssimo final em que quebrou com 2 horas 6 minutos, 32 segundos record de 2 horas, 9 minutos 21 segundos de Carlos Lopes de Los Angeles 1984. Jaouad Gharib of Morocco também quebrou o record 2 horas, 7 minutos e 16 segundos. Dramática foi a medalha de Bronze, onde o etíope Tsegay Kebede com 2 horas e 10 minutos ultrapassou praticamente na linha de meta o seu compatriota Martin Lel que veio na cabeça da corrida durante muito tempo, não conseguindo resistir no final. Foi sem dúvida a consagração mais espectacular de todo o evento uma vez que coincidiu com a cerimónia de fecho.

Seja como for, avaliem por vós próprios a cerimónia que aqui deixo desde já.

Estes foram para mim, os Jogos Olímpicos mais fantásticos de sempre e espero bem que a China aproveite bem a imagem positiva que deixou, não para mascarar os aspectos negros do regime Chinês (o que pode muito bem acontecer) mas sim para os abandonar progressivamente.

Como comentário rápido à nossa participação, penso que o nosso maior erro mais uma vez e à semelhança do Euro, foi a abertura da Caixa de Pandora com o anúncio tão mediático e histérico das expectativas. Fossem elas realizáveis ou não, penso que não é a festejar medalhas antes das vitórias que se pavimenta o caminho do sucesso.

De resto penso que os resultados foram bastante razoáveis. Duas medalhas mas muitos lugares de destaque infelizmente não muito comentados na comunicação social.

Bocas Olímpicas

Comitiva Olímpica Portuguesa

Como sabemos houve um grande circo mediático em torno das afirmações polémicas de três atletas portugueses que foram repetidas até à exaustão, isto curiosamente apesar do laconismo em relação aos mesmos até às afirmações polémicas que proferiram. Anonimato esse em que permaneceram por completo os atletas olímpicos não medalhados apesar da conquista de lugares de grande relevo entre os primeiros 10 por parte de muitos e records nacionais e pessoais batidos.

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Ceifada no Ocidente, Martelada no Cáucaso

Exército Russo

E se depois dos abusos norte-americanos, da indiferença da Europa e daquilo que parecia ser a trovoada russa, eis que só agora ouvimos os verdadeiros trovões desta tempestade política: o presidente Medvedev ouviu a Duma e declarou unilateralmente a independência das regiões separatistas da Geórgia, a Abkházia e a Ossétia do Sul.

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Obama goes up the Hill(ary)

Hillary Clinton em Denver 2008

Foi com grande agrado que ouvi o fabuloso discurso de Hillary Clinton hoje em Denver. Hillary começou por centrar muito o discurso em si mesma e por momentos quase parecia que estava a “esquecer-se” de Obama uma vez que falou muito de si mesma, do seu programa eleitoral, objectivos, crenças, etc.

Mas ao bom estilo do do dramatismo hollywoodesco norte-americano, a meio da longa exposição em que já se viam algumas caras demasiado sérias talvez por causa do centralismo do discurso na sua pessoa, eis que ela entrega todo o seu programa eleitoral nas mãos de Obama numa verdadeira bandeja de prata cumprindo a tão esperada unificação dos democratas.

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Lógica Invertida

Talvez seja pela aproximação do Irão à Organização para Cooperação de Xangai (organização internacional fundada por 5 países no orientais em 2001: China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão mas que já conta com muitos países “pretendentes” sendo eles a Índia, a Mongólia, o Paquistão e o Irão, mas por aquilo que nos chega pelos meios de comunicação social, parece que a Rússia aprendeu a famosa lógica invertida de Ahmadinejad, bem conhecida dos ocidentais aquando da discussão do programa nuclear iraniano.

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