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Hoje tropecei na estátua do Moisés e sonhei com uma lenda associada a esta obra. Os caminhos da minha mente foram um pouco mais sombrios que a lenda original mas resolvi escrever isto aqui antes que me esqueça, porque assim são os sonhos, efémeros e esfumam-se por entre os dedos por mais que os tentemos fixar.

Moisés
A brisa fresca cintilava entre as ramagens sibilantes da manhã. Entre a azáfama primaveril o louco exaltava os homens. Incrédulos transportavam o volume alvo pelo magro pórtico esmagando as roseiras brancas do jardim. Directo de Fiesole, o enorme bloco protagonizava agora o verdejante palco da pequena propriedade. Esgotados, o escultor apressava agora os homens para fora da propriedade, atarantados sorriam idiotas face ao seu esgar irado e sem pressas abandonavam as imediações. Com gestos bruscos e apressados, expulsava-os apressadamente, atingido pela luxúria criadora procurava nos labirintos da sua idealização as linhas do projecto.
Em cada instante desenhava-se na sua mente a forma que nasceria naquele tosco seráfico. Correu para a pedra e sentiu-a com as mãos ásperas e experientes, com elas percorreu o paralelepípedo, possuído pela ânsia da sua visão. Os dedos percorriam o corpo branco e adivinhavam as formas que já via na sua mente. Percebia a pedra, sentia-lhe cada detalhe, o escopro da sua vaidade artística desenhava cada contorno, cada ângulo, emergiam no barro criador da sua mente e nunca se enganava, não, a pedra tinha o marco da criação e os meses de persistência necessária para trabalhar o mono afiguravam-se como segundos.
Incansável, descobriu dia após dia, mês após mês as formas desta réplica dos seus desejos. Revelou-lhe rapidamente as faces angulosas, o nariz fino e rectilíneo, o olhar determinado pautado por melancolia e cansaço de uma viagem de quarenta anos, a boca grave dos povos do deserto… Já lhe adivinhava o corpo seco e musculado, os ossos salientes entre os músculos, os dias escorriam por cada veia que se definia, desde as mãos longas e ossudas do profeta que não foi até aos pés cansados das pernas viajadas. Mas prosseguia a encomenda da fé que o invocava, martelava e compunha cada curva, o torso esguio, as pernas musculadas pela longa viagem e em cada golpe tudo se definia, o futuro do passado da vontade daquele que morreu às portas da terra prometida.
A promessa divina estava finalmente ao seu alcance, a obra terminada coberta pelo lençol branco manchado pelo sangue e suor do ardor que o possuía. A noite estava tépida e a natureza aguardava em expectativa entre ventos que não sopram. Meses haviam passado, o Verão chegava ao fim. Num gesto inesperado revela perante os seus olhos o resultado do seu idílio. Fita silencioso a figura humana que ali se senta sobranceira entre os escombros que a ocultavam. “Levanta-te e anda!” grita exasperado, mas a figura pétrea olha distraidamente para o lado, contemplando as rosas secas no jardim.
Raiado pela incompreensão e incrédulo, o génio lança-se sobre ela e de martelo e escopro em punho ataca o velho recém-nascido por sua mão. Quebra-lhe o gesto altivo transformando os dedos nodosos em cascalho, a que se seguem os braços encostados que rapidamente perdem a forma e furioso martelando-lhe os joelhos, os membros rapidamente se confundem com os escombros do nascimento daquilo que agora morria.
O ar anseia, o coração palpita forte e esperam-no. Incrédulo e com olhar langue e cego fita a expressão arrogante daquela cara erguida sobre um torso desmembrado que ridiculamente parece ignorar toda a situação. Num último ímpeto de raiva, investe contra a sua obra e desfere-lhe um rude golpe no meio daquela expressão que O enfrentou e agora cai por terra: a cabeça fitando o infinito parte e cai no chão e rolando deixa adivinhar as linhas que a definiam.
O jovem pega por fim no escopro, e em direcção ao torso do velho decapitado: “pam, pam, PAM… … (silêncio)”, o martelo enterra o escopro no peito trabalhado. Fitando os escombros limpa o suor, sorri candidamente e vira as costas… Daquilo que era nada fez tudo e do tudo o reduziu a nada.
André Cunha
Como o IM no nome pode denunciar, o BeejiveIM é um cliente de instant messaging para dispositivos móveis e encontra-se disponível em Blackberry, Windows Mobile e iPhone. Nesta review, vou analisar esta última versão.

Com o mediatismo e imensa polémica primeiro em torno do acordo MIT-Portugal e agora mais recentemente com o novo regime jurídico do ensino superior português, Mariano Gago tem provado que não gagueja no que diz respeito à visão que tem do futuro académico português e tem empunhado, com o estandarte da modernização e adaptação às novas realidades, muito ao estilo do governo de que faz parte, uma espada contra os fortes interesses instituídos na academia portuguesa.
Outro ponto extremamente polémico na gestão de Gago, tem sido o favoritismo que tem concedido à sua casa-mãe, o Instituto Superior Técnico ou simplesmente IST. Os turbilhões no acordo MIT-Portugal somados agora ao encaixe perfeito do novo regime jurídico às necessidades do IST de acordo com a visão do seu colega do Departamento de Física do IST, o Professor Carlos Matos Ferreira, actual presidente do IST, parecem não deixar dúvidas relativamente às motivações de Gago ou pelo menos parte delas.

No contexto do artigo sobre a situação actual do universo académico português, Shogunato Universitário, achei relevante introduzir uma pequena contextualização histórica para justificar algumas das minhas posições e opiniões. Como essa contextualização provou ser não tão pequena como tinha planeado originalmente, resolvi colocá-la num post aparte que estão a ler de momento.
Comecemos então por contextualizar o panorama histórico-social do nosso país ao longo do século XX durante a ditadura do Estado Novo, a sua queda e consequências nas estruturas existentes que ficaram de pé nos escombros do antigo regime e os reflexos destes acontecimentos no actual paradigma académico do sistema democrático em que vivemos.

Em virtude do furacão Gustav que recentemente atingiu chegou a território norte-americano aproximando-se de New Orleans, cidade vitimizada em pelo furacão Katrina em 2005 tendo gerado a maior catástrofe natural e humana naquele país deste século com a morte de 1800 pessoas e obliteração total da cidade (que ainda não recuperou), os republicanos resolveram cancelar ou adiar inúmeros eventos da nomeação de McCain como candidato republicano.

Para fazer uma pausa nas eleições norte-americanas, resolvi colocar uma breve referência a uma adaptação televisiva da série literária de Frank Herbert, Dune. A adaptação sofre de problemas bem visíveis de orçamento mas captura por vezes o espírito das obras no seu pleno. Para mim, um dos pontos altos das adaptações, é em Children of Dune a sua soberba banda sonora da autoria de Brian Tyler.
O realizador parece partilhar este ponto de vista uma vez que dedicou no filme, uma pequena montagem acompanhada pela versão completa da melhor música da banda sonora, Inama Nushif. Brian Tyler fez um trabalho fantástico sobretudo tendo em conta o baixo orçamento e escreveu esta pequena peça utilizando linguagem frémen (língua dos nativos frémen de Arrakis) extraída das várias obras do autor e é dedicada à protagonista e antagonista da obra, Alia Atreides.
Brian Tyler considerou na altura esta a sua melhor composição e eu do que conheço da obra dele estou de acordo, não por uma questão de demérito das outras mas por mérito próprio desta banda sonora.
Deixo aqui a letra original e a sua tradução juntamente com a montagem no filme:
Inama Nushif Ela é Eterna Inama nushif Ela é eterna Al asir hiy ayish Intocável pela malícia Lia-anni Única e singular, não conhece tempo ou era Zaratha zarati Num enlace eterno Hatt al-hudad Através da tempestade Al-maahn al-baiid Seja dilúvio ou areia Ay-yah idare Uma voz singular Adamm malum Ergue-se na corrente Hatt al-hudad Através da tempestade Al-maahn al-baiid Seja dilúvio ou areia Ay-yah idare Uma voz singular Adamm malum Ergue-se na corrente Inama nishuf al a sadarr A sua voz canta para sempre Eann zaratha zarati Através das eras num enlace perpétuo Kali bakka a tishuf ahatt Com a dádiva de um sacrifício Al hudad alman dali Sem igual Inama nishuf al a sadarr A sua voz canta para sempre Eann zaratha zarati Através das eras num enlace perpétuo Kali bakka a tishuf ahatt A dádiva de um sacrifício Al hudad alman dali alia Um dia por Alia cumprido Inama nushif Ela é eterna Al asir hiy ayish Intocável pela malícia Lia-anni Única e singular, não conhece tempo ou era Zaratha zarati Num enlace eterno
Brian Tyler













