Outros campeonatos…

E saíram ontem os apuramentos para as finais da competição. Resultados com algumas surpresas, onde ainda assim se confirmam alguns nomes há muito favoritos.

Medalhas

Começando pela classe 5, Andrey Vulturov é o favorito ao ouro com uma pontuação de 121,5 mas nem tudo está ganho. Os atletas Monica Silver e o experiente Tony Carrot estão à perna com uma pontuação de 124,5, mas não menosprezemos Ricardo Pessegueiro que com 130,5 é um sério candidato ao pódio e ainda Alexander Rastov com 138 pontos, que apesar de mais distante, pode ainda ficar entre os laureados. Com tantos atletas de grande nível, a lacuna deixada pela eliminação precoce da grande esperança da modalidade, Michael Markesh, não é sentida.

Na classe 4, Samu Al-Mahid está apostado no ouro com 109,5 seguido de perto por Juan Perelas com 118,5. Mais distante está Jo Matashi com 124,5, que foi eliminado da classe 5 por penalizações de mudança de modalidade a meio do grande torneio e que se encontra em diferendo com o comité desportivo. Nesta classe lamenta-se a surpreendente eliminação de Nuno Fernandes, que no topo da sua forma, graças a penalizações muito graves por mudança de modalidade confirmou assim, o abandono definitivo do desporto de alta competição, indo para o torneio de júniores, apesar da sua idade relativamente avançada.

Na mítica classe 6 há uma grande surpresa. Depois do apuramento esperado de Michael Axe com 126 pontos que treina agora na Polónia, e do campeão mundial em pontos, Tomeév Bilrov com 54, eis que Peter Bourne já dado como eliminado fugiu à eliminação por apenas 6 pontos, estando com uma pontuação de 144. Lamenta-se com grande pesar, a ausência da grande esperança nesta classe, João Pela que entretanto se dedicou à música. Sublinha-se que esta é a última oportunidade de ganhar um grande título nas principais classes, uma vez que a partir de agora estes aletas competirão apenas na classe vintage.

Na experiente e já referida classe vintage, Hugh Fonzie corre o risco de ser eliminado nas competições finais tendo uma pontuação pouco confortável de 138 pontos.

É de referir que muitos dos atletas que aqui estão já dispensaram as competições finais que terão lugar em Setembro, estando esses à partida com a melhor pontuação possível. No entanto, destes atletas muitos têm ainda que competir, correndo o risco de aumentar a pontuação excessivamente, saindo assim do pódio e temos ainda que contar com o voto isento mas decisivo do júri que decide sempre os vencedores e vencidos desta emocionante competição.

Notemos a presença das equipas: CP com a dupla de renome mundial, Silver e Pessegueiro, NF com Vulturov há muitos anos na equipa, Axe que apesar de mais antigo foi expulso num escândalo de dopping mas agora voltou reabilitado e o agora experiente Matashi, antigo discípulo de Vulturov sendo os restantes atletas independentes com execepção de Perelas que compete pela ETC. É ainda relevante referir que Perelas e Al-Mahid têm o apoio do reputadíssimo Garden Institute.

Para as restantes classes menos relevantes, existe também muita força de vontade e espírito de competição e recomendamos a consulta dos dados oficiais.

Esperemos então por Outubro, quando tivermos na mão os resultados finais e a cerimónia de entrega das medalhas. Façam as vossas apostas!

As aparências desiludem…

Recentemente e pouco tempo após a abertura dos Jogos Olímpicos deste ano, foram expostas algumas situações controversas relativas ao (excesso) de zelo da organização face a este espectáculo memorável de dimensões sem precedente.

A primeira e mais grave situação envolve a jovem cantora que encantou e entoou um dos temas musicais no zénite da cerimónia, a pequena Li Miaoke ou será que cantou mesmo?

Yang Peiyi & Li Miaoke

De acordo com o director artístico musical, Chen Qigang, numa entrevista na Rádio Pequim pertencente ao Estado chinês, a voz que encantou todo o mundo no fabuloso espectáculo de luz e cor, não foi da pequena Li Miaoke de 9 anos mas sim duma ilustre desconhecida, Yang Peiyi de 7 anos.

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Abertura

Foi com grande alegria e sem reservas, que encarei a abertura do maior evento internacional dos últimos anos, os polémicos Jogos Olímpicos deste ano: Beijing 2008. Antes de falar mais sobre isto, disponibilizo aqui a épica abertura dos Jogos deste ano, realizada pelo aclamado realizador chinês, fortemente conhecido pelos espectáculos de cor e movimento que cria nos seus filmes, Yimou Zhang.

Beijing 2008

Ao ver a abertura, não pude certamente deixar de sentir uma grande esperança no “Império do Meio”, que quase 20 anos depois do massacre na praça mais emblemática de Pequim, Tiananmen, apresenta uma evolução cultural e social sem precedentes potenciada pelo forte crescimento económico proporcionado pela Nova China preconizada pelo comunista mais neo-liberal de sempre, Deng Xiaoping.

 

 

Esta abertura é uma mensagem clara ao Ocidente. Não é um manifesto de superioridade racial ou política, não é uma declaração de ódio e fecho aos outros povos e não é certamente a coroação do Comunismo chinês como modelo mundial a seguir. Como tal, a equiparação deste evento aos Jogos de Berlim em 1936 é um insulto que a meu ver transporta muita ambivalência possivelmente motivada por outras questões que não aquelas que assume.

Nesta abertura, a China faz definitivamente as pazes com o seu passado ancestral, sendo o espectáculo pautado exclusivamente pela exaltação da História chinesa, dos costumes artísticos e culturais mais antigos, das suas invenções que ajudaram a moldar a face do mundo, da força do colectivo humano sobre o indivíduo e da esperança e fé num futuro cada vez melhor, mas mais que tudo isto, uma mensagem de abertura ao Ocidente.

Pergunto aos adeptos do contra que esperam eles conseguir com a segregação da China? Será que acreditam que um país oriental com a dimensão e recursos humanos e naturais da China vai evoluir positivamente através de uma política de isolamento e segregação mundial? Se acham mesmo que sim, recomendo que leiam um pouco sobre os resultados dessa atitude na História contemporânea do país.

Tenho vergonha dos ocidentais que são acerrimamente contra a realização dos Jogos em Pequim. Quero apenas lembrar-lhes que os Jogos são um evento de aproximação dos povos e não de segregação e que através da abertura que estes implicam, a aproximação do Ocidente vai sem dúvida continuar a empurrar a evolução da China face aos Direitos Humanos, onde infelizmente ainda encontra muitas lacunas graves.

Que comecem os Jogos!