Notes on a Scandal sente-se desde o primeiro segundo, como uma corrida louca pelos caminhos sinuosos da mente de Barbara Covett (Judi Dench), deformada por tendências fortemente auto-repressivas, que remetem de imediato para as reminiscências vitorianas da sociedade britânica do século XX.
O filme apresenta-se sobretudo como uma narração de Barbara do seu próprio diário onde delineia ao longo do filme, a sua relação com Sheba Hart (Cate Blanchett) bem como a sua visão da realidade onde está inserida.
Esta narração incessante é acompanhada de uma refinada banda sonora da autoria de Peter Glass que confere ao filme uma atmosfera verdadeiramente única que nos arrasta cena após cena através do calvário de solidão e amargura de Barbara e nos envolve por completo no seu grotesco e intricado mundo de ilusões que constrói habilmente através da manipulação daqueles que a rodeiam.
Não entrando em mais detalhes, foi dos melhores filmes que vi ultimamente, se bem que não tenho visto muitos. O elenco apresenta-se todo ele à altura e seria injusto se destacasse as protagonistas em favor do restante elenco uma vez que este cumpre todas as expectativas.
É um thriller psicológico muito envolvente que nos permite reflectir sobre as eventuais consequências da auto-repressão.
