Fecho?

E é com esta pergunta que fecho os meus comentários aos Jogos Olímpicos de 2008. Espero bem que as minhas esperanças e expectativas em relação à China se realizem num futuro próximo. A cerimónia de fecho foi mais uma vez soberba, e embora mais descontraída e festiva que a cerimónia de abertura, providenciou ao espectador um espectáculo de rara beleza com ênfase para a fabulosa chama humana, chama essa que a China quer que arda para todo o sempre mesmo depois do emocionado extinguir da chama olímpica no emblemático “Ninho de Pássaros”.

Aquilo que menos impressionou em toda cerimónia foi, como não podia deixar de ser, a modesta apresentação britânica que a meu ver se ridicularizou completamente ao destacar sobretudo o futebol, desporto esse que está longe de ser relevante no quadro da tradição olímpica, mas pronto… Muda-se de país, mudam-se as vontades…

London 2012

Ficou bem patente a dificuldade que os britânicos terão para igualar a espectacularidade dos Jogos de Pequim com a entrega do testemunho e honestamente, boa sorte, e pelo aspecto do logotipo e entrega de testemunho, acho que vão precisar…

Foi também aqui que se consagrou campeão da prova rainha dos Jogos Olímpicos, a Maratona, o queniano Samuel Wansiru que fez uma prova espectacular num disputadíssimo final em que quebrou com 2 horas 6 minutos, 32 segundos record de 2 horas, 9 minutos 21 segundos de Carlos Lopes de Los Angeles 1984. Jaouad Gharib of Morocco também quebrou o record 2 horas, 7 minutos e 16 segundos. Dramática foi a medalha de Bronze, onde o etíope Tsegay Kebede com 2 horas e 10 minutos ultrapassou praticamente na linha de meta o seu compatriota Martin Lel que veio na cabeça da corrida durante muito tempo, não conseguindo resistir no final. Foi sem dúvida a consagração mais espectacular de todo o evento uma vez que coincidiu com a cerimónia de fecho.

Seja como for, avaliem por vós próprios a cerimónia que aqui deixo desde já.

Estes foram para mim, os Jogos Olímpicos mais fantásticos de sempre e espero bem que a China aproveite bem a imagem positiva que deixou, não para mascarar os aspectos negros do regime Chinês (o que pode muito bem acontecer) mas sim para os abandonar progressivamente.

Como comentário rápido à nossa participação, penso que o nosso maior erro mais uma vez e à semelhança do Euro, foi a abertura da Caixa de Pandora com o anúncio tão mediático e histérico das expectativas. Fossem elas realizáveis ou não, penso que não é a festejar medalhas antes das vitórias que se pavimenta o caminho do sucesso.

De resto penso que os resultados foram bastante razoáveis. Duas medalhas mas muitos lugares de destaque infelizmente não muito comentados na comunicação social.

Big Brother

Não pude deixar de rir (para não chorar) mais uma vez da fabulosa qualidade da televisão pública. A RTP passou hoje uma curta peça sobre o alegado “excesso de vigilância”, em particular para a forte presença de câmaras de video em todos os recantos de Pequim exprimindo uma clara e cínica opinião de crítica mostrando algumas opiniões negativas por parte de um norte-americano, não dando qualquer espaço a outros pontos de vista excepto às bocas dos jornalistas e narrador.

Pergunto-me se irão ser feitas peças de igual conteúdo aquando da realização dos Jogos de 2012 num dos países com maior número de câmaras de vigilância no mundo, o Reino Unido com mais de 4 milhões de câmaras sendo Londres uma campeã  mundial neste método de prevenção do crime que aparentemente falhou total e completamente.

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As aparências desiludem…

Recentemente e pouco tempo após a abertura dos Jogos Olímpicos deste ano, foram expostas algumas situações controversas relativas ao (excesso) de zelo da organização face a este espectáculo memorável de dimensões sem precedente.

A primeira e mais grave situação envolve a jovem cantora que encantou e entoou um dos temas musicais no zénite da cerimónia, a pequena Li Miaoke ou será que cantou mesmo?

Yang Peiyi & Li Miaoke

De acordo com o director artístico musical, Chen Qigang, numa entrevista na Rádio Pequim pertencente ao Estado chinês, a voz que encantou todo o mundo no fabuloso espectáculo de luz e cor, não foi da pequena Li Miaoke de 9 anos mas sim duma ilustre desconhecida, Yang Peiyi de 7 anos.

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