Abertura

Foi com grande alegria e sem reservas, que encarei a abertura do maior evento internacional dos últimos anos, os polémicos Jogos Olímpicos deste ano: Beijing 2008. Antes de falar mais sobre isto, disponibilizo aqui a épica abertura dos Jogos deste ano, realizada pelo aclamado realizador chinês, fortemente conhecido pelos espectáculos de cor e movimento que cria nos seus filmes, Yimou Zhang.

Beijing 2008

Ao ver a abertura, não pude certamente deixar de sentir uma grande esperança no “Império do Meio”, que quase 20 anos depois do massacre na praça mais emblemática de Pequim, Tiananmen, apresenta uma evolução cultural e social sem precedentes potenciada pelo forte crescimento económico proporcionado pela Nova China preconizada pelo comunista mais neo-liberal de sempre, Deng Xiaoping.

 

 

Esta abertura é uma mensagem clara ao Ocidente. Não é um manifesto de superioridade racial ou política, não é uma declaração de ódio e fecho aos outros povos e não é certamente a coroação do Comunismo chinês como modelo mundial a seguir. Como tal, a equiparação deste evento aos Jogos de Berlim em 1936 é um insulto que a meu ver transporta muita ambivalência possivelmente motivada por outras questões que não aquelas que assume.

Nesta abertura, a China faz definitivamente as pazes com o seu passado ancestral, sendo o espectáculo pautado exclusivamente pela exaltação da História chinesa, dos costumes artísticos e culturais mais antigos, das suas invenções que ajudaram a moldar a face do mundo, da força do colectivo humano sobre o indivíduo e da esperança e fé num futuro cada vez melhor, mas mais que tudo isto, uma mensagem de abertura ao Ocidente.

Pergunto aos adeptos do contra que esperam eles conseguir com a segregação da China? Será que acreditam que um país oriental com a dimensão e recursos humanos e naturais da China vai evoluir positivamente através de uma política de isolamento e segregação mundial? Se acham mesmo que sim, recomendo que leiam um pouco sobre os resultados dessa atitude na História contemporânea do país.

Tenho vergonha dos ocidentais que são acerrimamente contra a realização dos Jogos em Pequim. Quero apenas lembrar-lhes que os Jogos são um evento de aproximação dos povos e não de segregação e que através da abertura que estes implicam, a aproximação do Ocidente vai sem dúvida continuar a empurrar a evolução da China face aos Direitos Humanos, onde infelizmente ainda encontra muitas lacunas graves.

Que comecem os Jogos!